A vida que eu quero

Outro dia eu estava navegando pelo Tumblr e vi um post que me tocou bastante:

Tradução aproximada:

Conceito: eu termino a escola. O emprego que tenho não é meu trabalho dos sonhos mas eu gosto dele e trabalho bem ainda assim. Ele me paga o suficiente para cobrir todas as minhas necessidades. Minhas contas nunca estão atrasadas. Dinheiro não é uma preocupação. Eu tenho um lugar para morar. Meus cachorros também. Ele é bom e quente, eu tenho algumas plantas, minhas estantes estão cheias de livros, meus lençóis estão sempre limpos. Tenho tempo para ler no fim do dia. Eu leio bastante. Pensar é uma coisa boa. Eu me encontro regularmente com amigos, novos e velhos. Eles me amam. Nós criamos memórias. Eu não tenho nada do que me envergonhar. Eu viajo algumas vezes por ano, sempre para lugares diferentes. Os lugares que eu vejo me tiram o fôlego. As pessoas que eu encontro me ensinam sobre a vida. Elas são boas. Não existe guerra. O mar me chama e eu faço uma visita. Eu sou independente. Eu sou feliz.

Tirando alguns pequenos detalhes, como ter cachorros (preferiria um gato) ou ter vários livros (sou mais o kindle), eu mesma poderia ter escrito esse texto. É engraçado que sempre que penso em como seria a “vida perfeita” para mim, sempre me vêm duas imagens: a vida maravilhosa – ser rica, não precisar trabalhar, viver viajando – e a realista, que é basicamente a que foi descrita nesse post de Tumblr.

Ultimamente eu tenho pensado bastante nessa vida que eu quero ter. Não posso negar que já conquistei muito do que eu queria: eu moro sozinha, como sempre quis. Trabalho na minha área de formação, e apesar de não ser despreocupada com dinheiro, tenho o suficiente para me manter e guardar para o futuro – o que, infelizmente, não é realidade para grande parte das pessoas no Brasil. Encontro minhas amigas uma vez por mês, e apesar de achar pouco, sempre fico feliz em vê-las. Meus lençóis também estão sempre limpos, o que é ótimo!

Ainda assim, algumas coisas me faltam. Não estou muito feliz com o meu trabalho, e quase não sobra tempo para fazer as coisas que gosto. Acho exaustiva a jornada de trabalho de 40h semanais, mas por enquanto não tenho como fugir disso. Queria poder viajar mais e conhecer novos lugares, mas tenho medo de gastar com viagens um dinheiro que pode fazer falta no futuro. E nesse momento caótico da política nacional, tenho muito medo de a situação econômica piorar tanto que eu perca tudo o que conquistei até hoje (e nem falo só por mim, dessa vez).

Vejo muito por aí, principalmente nas redes sociais, pessoas reclamando de não saberem o que querem da vida aos 20 e tantos anos, de estarem “perdendo tempo” e de não serem bem-sucedidas. Eu mesma me sinto assim às vezes, e ler esse post me ajudou um pouco a enxergar que não é bem assim, que, devagarinho, eu estou conquistando a vida que eu quero. Eu sei que meus sonhos são realizáveis, e sei que vou alcançá-los, no que depender de mim.

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22 comentários sobre “A vida que eu quero

  1. É muito importante viver o melhor possível e aceitar o que não se pode mudar pelo menos no momento … As vezes fico muito reflexima … Mas isso tem me ajudado a julgar menos … A viver mais o presente , e viver com atenção plena o momento q vivo …

    Um beijo e boa semana

  2. Me pego sempre com esse pensamento. Me formo em julho. Amo o curso que escolhi fazer na faculdade (Relações Internacionais) e a minha vontade seria trabalhar no terceiro setor (ONGs), porém, comento isso com as pessoas e elas me acham louca. Minha mãe me pressiona quase que diariamente a prestar concurso público – pra ela, não importa o que eu faça, se eu goste, se seja na área que eu quero o importante é a estabilidade. Ao mesmo tempo que entendo essa preocupação, fico dividida. Será que eu quero mesmo passar minha vida trabalhando em um serviço público fazendo algo que não me agrada, só pelo dinheiro? E por outro lado, diariamente, vejo como o dinheiro é importante nas nossas vidas. Agora mesmo, sou carioca, e o governador não está pagando o salário dos servidores, aposentados e pensionistas – o que inclui minha mãe e assim, nossa vida tá um CAOS. Minha mãe nunca “conseguiu” (ela nunca colocou isso como prioridade) guardar dinheiro e as contas estão atrasadas, nosso nível de vida tá caindo… Eu não sei. Metade de mim fica: faz qualquer concurso e garante a sua estabilidade, depois vc vê o que faz. A outra metade fica: dane-se isso tudo, vai fazer o que você ama. Essa ideia do texto ali muito me agrada. É isso que quero pra minha vida. Tudo ajeitadinho, conseguir tempo para ler, cuidar da minha casinha… E isso tudo sem me endividar ou viver no sufoco. Será que tô querendo demais? Será que isso é uma possibilidade real? Não sei. Desculpa mesmo o textão, mas esse post mexeu comigo e me fez refletir e pôr para fora esses pensamentos que há muito vem me atormentando.

    Super abraço,
    Mariana

    • Oi Mariana. Em primeiro lugar, não se desculpe pelo comentário grande! Eu gosto muito de ler os comentários das leitoras e fico feliz quando faço um post com o qual as pessoas se identificam… Eu também me sinto menos “sozinha” quando leio sobre as experiências de outras pessoas que são parecidas com as minhas.

      Sobre estar com dúvida sobre o que fazer, eu te entendo. Eu mesma escolhi fazer Engenharia de Computação não por amor à tecnologia, mas pelas oportunidades de emprego e salário. Não odeio a minha área, mas não é o que eu amo. O pior é que, ao contrário de você, eu não sei verdadeiramente o que eu “amo”, então eu continuo trabalhando com algo que não é o ideal porque eu não sei o que é o meu ideal. Mas não vou negar que muito do que eu tenho se deve a estar nessa área. Eu jamais conseguiria morar sozinha, por exemplo, recebendo um salário menor. O problema é que, quanto mais tempo eu permaneço mexendo com programação e TI, menos eu acho que terei ânimo para mudar de profissão.

      Acho que o mais importante é definir o que é realmente prioridade para você. Eu não faço questão de ter um “trabalho dos sonhos”, mas ir todo dia para um emprego que você odeia é horrível, já passei por isso, não recomendo. Você acaba perdendo as forças e saindo. Se você fizer concurso, também não é obrigada a passar a vida inteira no serviço público, pode esperar, juntar uma graninha e depois trabalhar com ONGs… Mas o que quer que você escolha, faça isso por você, não pelos outros. Você é a única pessoa que vai ter que lidar com as consequências das suas escolhas profissionais, sejam elas boas ou ruins.

      De qualquer forma, espero sinceramente que dê tudo certo para você, Mariana.

      Abraços

  3. Oi Mariana, conheci o seu blog a um tempo atrás e venho acompanhando, adorei esse post. Eu também poderia ter escrito ele, sem exceção de nenhuma frase. Minha vida está igualzinha. E eu estou feliz. Mas tenho ficado em dúvida sobre o meu trabalho. Trabalho como operadora de áudio em uma rádio, não é o que eu amo fazer, mas é um bom emprego. Trabalho só 6 horas por dia, e é SUPER tranquilo. Estou fazendo faculdade de Licenciatura em Geografia. Estou gostando do curso, porém eu o escolhi porque gosto da matéria em si e não necessariamente de dar aula. Estou estudando mas não sei se quero atuar nessa área. Acho que não seria ruim, eu teria mais estabilidade, ganharia mais e teria uma profissão de verdade. Porém teria menos tempo livre. Não sei se estou acomodada no meu trabalho ou se estou com medo de começar em algo novo ou se realmente prefiro ter menos estabilidade e mais tempo livre.
    Desculpe o desabafo, esse post mexeu comigo. Se puder me dizer algumas palavras, uma opinião, qualquer coisa, eu agradeço.
    Parabéns pelo blog! Grande Abraço!

    • Oi Janaína! Quanto aos nomes, não tem problema!

      Sobre o seu comentário: primeiro, não precisa pedir desculpas por escrever! Eu gosto muito quando as leitoras se identificam com algum post e comentam, quando dizem que passam pelas mesmas coisas que eu, etc e tal.

      Eu sei que é difícil mudar de área de trabalho, mas você precisa pensar no que é sua prioridade, agora e no futuro. Ter mais tempo livre é primordial para você, ou você poderia viver sem isso numa boa? Seu emprego atual pode te possibilitar uma melhora profissional no futuro (caso seja seu interesse)? Qual das áreas atenderia melhor suas necessidades?

      Posso estar falando bobagem, já que não tenho conhecimento de causa sobre ser professora, mas minha mãe trabalhou a vida toda com isso (na rede estadual) e meu namorado quer seguir nessa área (ele estuda História e já trabalhou como professor de inglês), e o que eles me falam é o seguinte: na rede pública, professor não costuma ganhar muito bem. Os melhores salários são pagos para quem dá aula em escola particular/cursinho (ou faculdade). Então, mesmo com uma carga horária menor, não é raro o professor precisar pegar outas turmas/outras escolas. E tem muito trabalho que precisa ser levado pra casa, como provas para corrigir, por exemplo.

      Fui escrevendo e só depois fui perceber que você já deve saber disso, já que está pretendendo seguir nessa área! 😀 Por favor, não pense que eu digo essas para te desanimar da carreira de professora, só acho que as dificuldades devem ser levadas em conta, também. E não se ache “acomodada” por não querer mudar de emprego – se ele atende suas necessidades, é muito válido querer continuar!

      Abraços!

  4. Eu fiquei muito tocado com esse post. Sempre leio o blog, mas foi incrível me ever nessas palavras. Eu faço Doutorado no interior de são paulo e me mudei recentemente para cá vindo do Rio de Janeiro. Nesta semana tudo tem sido tão difícil, mas esse post me deu forças para continuar e hj fiz uma excelente prova. Que Deus te abençoe, Bárbara!

    • Oi, Fábio. Fico feliz que tenha gostado do post. Espero que as coisas deem certo para você no doutorado e na nova cidade. Não se preocupe, após uma mudança tudo fica complicado mas logo a vida vai se ajeitando. Abraços!

  5. Esse texto me fez muito bem. De verdade.
    Sempre me pego pensando no futuro, no dia em que serei independente em todos os sentidos. Morar onde quero e levar a vida que quero. Enquanto batalho para alcançar a realidade desejada por mim, tiro proveito dos bons e maus momentos que encontro no caminho.

    Obrigada por essa postagem querida! Bom final de semana!

  6. Esse post salvou minha noite! Especialmente depois de uma conversa com meu namorado a respeito do futuro e tudo mais, o que me desanimou um pouco. Alias que saudade de ler seu blog ❤

  7. Esse texto também mexeu comigo.
    Eu tenho praticamente a vida que sempre sonhei.. tenho um emprego bom e estável, meu marido também, temos nossa casa e economias… basicamente, não temos nenhuma preocupação e nenhum problema.
    Mas… eu quero mais da vida, sabe? Eu quero poder morar na praia, quero viajar pela Europa, quero dormir mais de 10 horas por dia (impossível trabalhando 40h/semanais), entre tantas outras coisas.
    Eu sofro as vezes pq queria ter menos ambição. Queria conseguir me acomodar, afinal minha vida já é boa. E eu não sei o que é melhor… se acomodar também não parece algo tão positivo.

    • Oi Marcia, obrigada por comentar! Olha, eu acho que o desejo de mudar e viver coisas novas é inerente ao ser humano. O fato de você ter uma vida boa não quer dizer que você não possa buscas novas experiências! O importante é fazer o que te traz felicidade.

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