“Peças que você precisa ter”. Precisa mesmo?

Outro dia estava checando as estatísticas do blog e vi que alguém chegou até aqui utilizando o termo de busca “peças minimalistas tem que ter”. Fiquei pensando nesse termo, “tem que ter”, tão repetido por aí. É difícil encontrar uma revista ou um site voltado para o público feminino que não contenha artigos com os títulos “X itens essenciais para esse verão” ou “Y coisas que toda mulher deve ter no guarda-roupa”. A imagem a seguir é um exemplo:

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“Essenciais” pra quem?

Reparem na quantidade: 50 itens! E esses são “só” os essenciais, hein? Sem contar as peças que estão na moda agora, como jeans flare, calça skinny colorida, colete de pelos… Você compra essa roupa “essencial” hoje, daqui a um ano ela está over e você fica com uma calça boca-de-sino encalhada em casa.

Eu realmente fico irritada com essas listas “tem que ter” porque, além de mudarem a cada estação e incentivarem o consumismo, elas nunca levam em conta nosso estilo de vida ou nossos gostos. Anos atrás eu comecei um estágio numa empresa onde minha chefe pediu que eu me vestisse um pouco “mais arrumada”. Sem ter ideia do que usar, segui uma dessas listas de essenciais e comprei, entre outras coisas, um exemplar da famigerada camisa branca “curinga”, que está presente em 9 de cada 10 listas de must-haves.

Com o tempo, eu fui ficando com ódio mortal da camisa. Ela sujava fácil, restringia meus movimentos, não combinava com as outras roupas que eu usava no dia-a-dia (só podia usar no trabalho)… Eu me sentia mal em usá-la e me livrei dela assim que pude. Se eu tivesse mais consciência na época, teria comprado roupas que, combinadas da maneira certa, serviriam tanto para o trabalho quanto para saídas casuais, como algumas blusas que tenho hoje!

No meio minimalista também existem essas listas de “essenciais”, vide o exemplo:

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A maioria dos itens é genérico (só a blusa cropped é peça “da moda”), mas não gosto da definição das quantidades. Eu realmente preciso de 3 blazers no meu armário? E dois vestidos de festa?

Minha intenção com esse post não é dizer todas as listas desse tipo são ruins, mas sim que devemos tomar cuidado com elas. Buscar inspiração é sempre válido e, para quem ainda está insegura sobre o próprio estilo, essas listas (principalmente as ilustradas) são um bom material de base. Mas o mais importante é considerar as suas necessidades e os seus gostos. Quem deve definir o que você “tem que ter” é você, apenas!

Links úteis para quem quer simplificar o armário:

  1. Podcast do blog Ana Go Slowly “Simplificar o Guarda Roupa
  2. Definindo meu estilo-assinatura, partes I, II e III
  3. Como planejar um armário minimalista
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12 comentários sobre ““Peças que você precisa ter”. Precisa mesmo?

  1. Concordo demais com os pontos que você levantou aqui. Desde quando eu escrevia no Vida Minimalista, sempre defendi que não podemos nos apegar a números pra montarmos um armário minimalista. Tinha, na época, um desafio de manter em casa apenas 100 itens (pra se tornar um minimalista) e isso era algo que me tirava do sério. Primeiro porque cada um tem suas necessidades, e segundo, que não adianta nada montarmos um esquema de “must-have” e a pessoa, em vez de aproveitar o que tem em casa, sair loucamente por um shopping pra comprar tudo que está na lista.

    Ótimo post, e obrigada por linkar o Leve por aí! ❤

    Beijos!
    http://www.leveporai.com

    • Oi Camile! Eu também não gosto dessa tendência de ter um número fixo de roupas/coisas de casa/etc. Acho que é criar preocupação à toa. Eu até gosto de saber a quantidade de itens no meu armário, só para um controle básico, sem arrancar os cabelos porque passei da quantidade X.

      Seu comentário me lembrou do livro da Marie Kondo! Ela fala que ao invés de comprar mil itens de organização, é melhor usar o que tem em casa, fazer os próprios organizadores ou deixar como está. Acho que esse conselho pode ser aplicado ao guarda-roupa também!

      Abraços

  2. Olá, estava eu toda a feliz a ler este post (pois gosto sempre de ler sobre este assunto) quando vi no final a referência ao meu podcast, muito obrigada 🙂
    Concordo com o que disseste, acima de tudo devemos tentar adaptar as dicas que lemos à nossa vida, pois há peças consideradas básicas que simplesmente não se enquadram com o nosso estilo de vida ou que nós não gostamos.
    Beijinhos

    • Oi Ana, obrigada por comentar! Gosto bastante do seu blog e estou adorando os podcasts.

      Acho que o maior problema em simplificar o armário é definir qual é o nosso estilo. Somos tão bombardeadas com moda e consumismo que fica difícil “se encontrar” nesse meio, a princípio. Pelo menos para mim foi assim. Quando entendi meus gostos, minimalizar o guarda-roupa ficou extremamente fácil.

      Abraços!

      • É isso mesmo. Levei séculos para entender. Acho que eu só era eu mesma em matéria de roupa quando era adolescente. Não tinha dinheiro para ficar comprado muita roupa e só usava cores mais básicas, enfim, usava o que eu gostava. Depois as coisas ficaram confusas, comecei a usar cores que nunca tinha gostado, misturar estilos… e em todo lugar as pessoas dizendo que a gente tem que usar isso ou aquilo… a moda é prata, depois a moda é dourado… cada hora uma coisa…. agora que a ficha caiu e passei a analisar, realmente, o que de fato eu gosto. Tirei muita coisa do armário, acho que coisas que eu nunca gostei mas nunca tinha parado para pensar sobre isso. Comprava porque estava com preço bom ou estava na moda, etc.

      • Oi Fernanda, obrigada por comentar! Eu também comprei muita coisa só porque estava na moda, e quando era mais nova comprava algumas coisas que não gostava só porque minha mãe ia na loja comigo e me incentivava a escolher roupas mais “femininas”. Chegava em casa, guardava na gaveta e não usava nunca porque não gostava daquilo.

        Às vezes eu também comprava peças que achava lindas, mas acabava não usando por serem “muito arrumadas” ou não se encaixarem no meu dia-a-dia… Esse foi o hábito mais difícil de abandonar. Foi engraçado descobrir que o estilo que eu tenho na minha cabeça não é o que eu uso na vida real. 😀

  3. Acho que é exatamente isso! O que tenho na minha cabeça não é o que uso … Às vezes vejo determinadas pessoas na internet e digo: “esse é o estilo que gosto” Mas daí a conseguir ter o tal estilo é um longo caminho.
    Quer saber? Atualmente estou confusa… às vezes olho determinada peça de roupa e simplesmente não sei se gosto ou não. Fico olhando, tentando definir… tentando não deixar me influenciar e me pergunto: “afinal de contas, do que é que eu gosto mesmo?”
    Para ter uma orientação eu fiz uma busca na internet e encontrei pessoas e/ou personagens que gosto do estilo e percebi que elas tem estilos parecidos entre si. Deveria ser fácil aplicar isso mas não é.

    • Concordo, Fernanda. É difícil se encontrar no meio de tantas referências… Demorei muito para separar o meu gosto “estético” do que eu uso diariamente. Por exemplo: adoro roupas estilo vintage, acho lindo, mas não compro porque detesto chamar atenção e sei que essas roupas são chamativas. Então quando vejo alguma coisa que me agrada, procuro pensar “tá certo, adorei isso, mas eu usaria na rua?”. Se a resposta é não, me contento em admirar. Mas é um exercício constante…

      Quando fiz o post sobre estilo-assinatura, procurei inspirações no Pinterest e só adicionei fotos de roupas que eu usaria diariamente sem problemas. Acho que só quando comparei meus pins e as minhas roupas da vida real eu realmente tive certeza do meu estilo.

  4. Falou “tem que ter” eu já nem termino de ler o post/matéria/o que quer que seja. Tanta coisa que tentam impor na vida da gente, fazer a gente acreditar que precisa. Quem sabe melhor do que nossa vida está carente somos nós. Eu demorei, mas aprendi a passar batido nessas situações.

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