O que eu não aprecio no minimalismo

Há anos me dedico a falar neste blog sobre como é bom adotar um estilo de vida minimalista, mas hoje resolvi ser hater e escrever sobre algumas tendências das quais não gosto nesse meio. Aqui vão elas:

Tudo preto, branco e cinza
Apesar de adorar essas cores (branco só para decoração, roupas jamais), existe uma falsa noção de que para se ter uma casa ou um estilo minimalista, você não pode sair desse espectro. É só procurar “minimalismo” no Pinterest para ser bombardeada por fotos de casas e roupas monocromáticas, e isso me cansa às vezes.

Destralhe, destralhe e mais destralhe
Entendo que é importante se livrar das coisas desnecessárias para ter uma casa mais organizada, e que isso é um processo contínuo, mas eu gostaria de ver mais conteúdo além disso nos blogs/sites e no Pinterest. A maioria esmagadora dos posts sobre minimalismo tem a ver com destralhe, e depois de ter adotado esse hábito, eu fico pensando “Ok, e agora? O que mais eu posso fazer?”, mas acho pouca coisa que me inspire.

Listas de itens essenciais para o guarda-roupa
Como disse nesse post, não gosto de listas de roupas essenciais porque elas são muito impessoais. Cada um tem seu estilo, e o que é essencial para mim pode não ser para outras pessoas.

Poucos móveis num espaço imenso
É verdade que o movimento minimalista se originou nas artes, no design e na arquitetura, sendo relacionado mais à estética que ao uso de espaço ou quantidade de objetos, mas eu não consigo deixar de achar estranho quando vejo fotos de casas gigantescas, porém com poucos móveis, sendo chamadas de minimalistas. Não seria melhor ocupar menos espaço?

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Começar a ser minimalista comprando “coisas minimalistas”
Às vezes eu leio relatos de pessoas dizendo que remodelaram todo o guarda-roupa ou a casa para se adequar ao modo de vida minimalista, e eu não consigo deixar de ver a ironia da situação: consumir mais, gastar dinheiro e gerar mais lixo não deveria ser considerado minimalista, por mais que sua casa e suas roupas agora sejam todas pretas, brancas e cinza! 😀

Falta de reflexão sobre privilégios
Pouco se fala sobre isso, mas a verdade é que poder adotar uma vida simples, reduzir posses e gastos supérfluos é um privilégio para pessoas de classe média/classe alta. Quantas pessoas no Brasil podem, como eu, separar um valor X por mês para gastar com não-essenciais? Às vezes as pessoas se perdem no discurso de “é possível ter uma vida minimalista, é só querer”, sendo que a maioria não vive com menos por opção, e sim por necessidade. Não quero me colocar como melhor que ninguém – até porque meu discurso nesse blog também é bastante classe média), só quero apontar que é necessário fazer essa reflexão de vez em quando.

E vocês, leitores, tem alguma coisa que não gostam no minimalismo? Me contem nos comentários!

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17 comentários sobre “O que eu não aprecio no minimalismo

  1. ola Barbara…tambem nao gosto da ideia de ter tudo na mesma cor, todos os moveis brancos, todas as roupas de cama branca parecendo um hospital e etc…a ideia minimalista esta mais ligada no consumo consciente das coisas, em gastar seu dinheiro de forma inteligente e sempre dizer nao ao desperdício do que em cores monogramáticas.
    boa semana pra vc

  2. Eu acho que o grande problema é que hj as pessoas confundem filosofia minimalista com estetica minimalista, e apesar te existir uma pequena relação aí, um coisa não depende da outra. A estética minimalista de que vc fala no post está mesmo em alta, e eu tbm tô meio enjoada de ver por aí tbm. Mas uma pessoa ter uma casa toda preta, branca e cinza não quer dizer que vc é minimalista, alias pode ser até o contrario, como vc bem disse. A filosofia minimalista, por outro lado, é isso mesmo, uma forma de vida que, sem querer soar clichê, vem de dentro, tem a ver com organizar primeiro nossa mente, nossos valores, é só depois, por consequência, vem se refletir na nossa vida diária. É como eu escrevi uma vez num post que eu fiz, uma citação que li em algum lugar: minimalismo não é ter uma quantidade pequena de coisas, mas a quantidade perfeita delas. O que acontece hj é a estetica minimalista, que é oooutra coisa, sem banalizou por aí e as pessoas confundem as coisas. Mas pra mim, minimalismo como forma de vida não está sujeito à essa estetica. E por causa dessa confusão, vemos conteúdos com conceitos trocados por aí, e fica difícil pra quem de fato quer estudar o tema encontrar material de qualidade. Em outras palavras, encerrando esse textão, uma pessoa minimalista pode viver numa casa toda colorida, enquanto alguém que vive numa casa toda nordica e pálida pode não fazer ideia do que é minimalismo….

    Gostei muito da sua reflexão. Basicamente me sinto assim tbm.
    Boa semana, beijos!

    • Oi Mary, obrigada pelo comentário, gostei muito! Você resumiu muito melhor que eu poderia ter feito, mas também penso assim. Aliás, se você permitir, eu gostaria de publicar seu comentário como um outro post complementar a esse. Abraços!

      • Ei Bárbara! Nossos pensamentos estão alinhados, então. rsrs Até eu estou querendo falar mais de minimalismo no meu blog, porque é algo que realmente me toca e me motiva. Eu não posso ser hipócrita em dizer que rejeito a estética minimalista, porque de fato eu tbm gosto muito de objeitos e ambientes mais simples, apesar de não querer viver presa à isso. A diferença, como nós sabemos, é saber separar as coisas, e ter a noção de que uma existe independe da outra, por motivos diferentes e que traz conceitos diferentes e que muitas vezes é motivada por coisas diferentes por quem adota uma, outra ou ambas.
        Fique à vontade pra publicar meu comentário, fico muito feliz em saber que consegui explicar um pouquinho do que eu sinto em relação à essa história toda. E como eu escrevi no calor da emoção, fique à vontade pra corrigir qualquer errinho que por ventura estiver por aí!
        Beijos!

  3. Me incomoda bastante a idéia da necessidade de destralhe infinito. Concordo que facilita muito nossa vida termos somente o essencial…mas sempre que vejo essas imagens de destralhes imensos fico imaginando onde aquilo tudo vai parar..tenho convicção de que nessa ânsia por destralhe nós estamos prejudicando o meio ambiente. Precisamos repensar a necessidade de descartar (e descartar de maneira correta) os itens que não queremos mais. Aprender a usar tudo até o final; propor novos usos para os mesmos objetos e, principalmente, comprar de maneira mais consciente. Até que ponto estamos nos desfazendo daquele item porque ele não nos serve mais ou somente por um “capricho” pra podermos falar que somos minimalistas?

    Adoro seu blog ❤

    • Oi Taís, obrigada por comentar! Concordo com você: mesmo essa busca por uma vida mais simples, sem acumular objetos desnecessários, às vezes acaba gerando mais consumo e lixo. Eu ainda estou engatinhando no quesito consumo/descarte consciente, mas existe uma infinidade de hábitos que preciso mudar… Sinto falta de mais conteúdo a respeito disso nos blogs minimalistas, ao invés do destralhe infinito.
      Abraços!

    • Muito verdade isso, Taís! E me incomoda mais ainda que os conteúdos ~minimalistas~ por aí falem tanto tanto em destralhe e pouco do que realmente é importante, que é não adquirir o objeto supérfluo, ou isso que vc falou, comprar com consciência. Por que ser minimalista só na hora de jogar as coisas fora, ao invés de adotar isso na hora de comprar? Não faz sentindo…

      • Exatamente, Mary! Acho muito positivo que, a cada dia que passa, tem se discutido mais sobre a necessidade de ter só o essencial, consumo consciente, menor produção de lixo….mas esses tópicos ainda ficam “na sombra” quando se fala em destralhe, né? As pessoas querem saber e comparar quantos pares de sapato cada armário minimalista tem…Talvez isso seja consequência de sermos uma sociedade que passou muito tempo consumindo pra preencher vazios emocionais…não sei…vejo muita gente lendo o livro da Mary Kondo e assistindo aquele programa “Desengaveta” do GNT….mas acho que, em geral, a discussão acerca do tema é muito rasa! É bem o que você disse mesmo…precisamos ser minimalistas na hora de consumir!

        Não sei se você conhece, mas tenho lido bastante sobre consumo consciente/menor produção de lixo no blog da Cristal:
        http://www.umanosemlixo.com/

    • Pois é Taís… é realmente isso que vc disse. Focam no destralhe, esquecem que o problema tá em outro lugar… Sobre o blog da Cristal, eu conheço, mas fazia tempo que não visitava! Obrigada pelo lembrete! Beijos!

  4. Oi Barbara, tudo bem?
    Bom, não tenho o que reclamar do minimalismo até porque eu estou indo com muita calma, assim como você, um dos meus sonhos é morar sozinho e estou correndo atrás disso, quero passar no concurso da polícia militar para fazer tal feito então por isso estou diminuindo os meus pertences do quarto aos poucos, o minimalismo e seu blog estão me ajudando muito, são quase como uma terapia pra mim. hehehe
    Gostaria de pedir uma dica pra você, em post antigo você mencionou que conseguiu completar a sua reserva de emergência, como eu calculo isso?
    Estou precisando fazer e não muita noção por onde começar.
    Obrigado e adorei o post de hoje.

  5. Rapaz… esse negócio de que todo mundo tem que ser preto-branco-cinza dá um nó mesmo, apesar de adorar me vestir assim kkkk, na verdade é que se a pessoa cair nessa noia da internet acabará gastando mais mudando toda a casa e o armário ai lá se vai pelo ralo o que é realmente ser minimalista. Quanto ao destralhe até gosto viu, eu acabo juntando muita besteira, e de vez em quando alguns exemplos de destralhe me inspiram kkk.

  6. Pois é Taís… é realmente isso que vc disse. Focam no destralhe, esquecem que o problema tá em outro lugar… Sobre o blog da Cristal, eu conheço, mas fazia tempo que não visitava! Obrigada pelo lembrete! Beijos!

  7. Pingback: BEDA #2 – Leituras da semana | Frugalidades

  8. Gostei mto do livro “Casa organizada” da Thais Godinho!
    A Thais aborda bastante o minimalismo e a produtividade/organização para termos mais tempo para o que é mais importante para cada um. Quando acumulamos coisas desnecessárias independente se forem objetos ou relacionamentos não temos tanto tempo para fazermos o que gostamos.
    Sobre o destralhe eu fiz um grande aqui em casa mas ficou faltando a cozinha. Acho que o destralhe bem feito não é jogar tudo fora e depois repor e sim refletir no que é necessário na sua vida.
    Fiz o curso de consultoria de imagem pessoal e é muito louco qdo termina o curso, vc sabe o que veste bem e te favorece e fica super chata para novas compras…e sinceramente acho que o minimalismo significa isso de ter somente coisas úteis e que ficam bem ou tenham qualidade
    Misturei mto minhas ideias hahaha
    Beijos

    • Oi Paula, obrigada por comentar! Concordo com você, é importante refletir sobre o que é necessário e importante nas nossas vidas. Também acho que o minimalismo é isso, acima de tudo. Abraços!

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