Cansar de uma roupa é anti-minimalista?

Ultimamente estou num dilema: tenho algumas peças no guarda-roupa que não uso tanto quanto antes, e percebi que não gosto mais delas como antigamente. Pela filosofia da Marie Kondo eu deveria me desfazer delas, já que elas não me trazem mais felicidade. O problema é que, mesmo antigas, essas roupas não estão estragadas, e fico pensando se não seria anti-minimalista da minha parte tirar itens em perfeito estado do meu armário para comprar outros apenas “porque sim”.

Antes de conhecer o minimalismo, eu comprava muitas roupas que não eram exatamente do meu estilo, quase não usava nenhuma delas e as deixava eternamente no armário, até cansar e doar. Depois de realizar o projeto do guarda-roupa minimalista e finalmente ter um armário apenas com coisas que gosto e que refletem o meu estilo, parei totalmente com essa prática. Desde então eu comprei pouquíssimas roupas, a maioria delas para substituir algo que estava estragando.

A situação agora é um pouco diferente: as peças das quais estou falando já estavam no meu armário durante o projeto, e a maioria delas eu comprei quando ainda morava na minha cidade natal. Tenho shorts e vestidos que uso desde os 17 anos! Como não os uso todo dia, eles ainda estão bem conservados, apesar de antigos. Daí vem a dó de me desfazer de uma roupa que está durando 10 anos e me vestindo bem.

Também tenho um certo receito de “abrir a porteira” da substituição e passar a trocar outras roupas sem necessidade com maior frequência. Ando lendo tanto sobre consumo consciente, fazer isso iria prejudicar todo o meu caminho no minimalismo até agora.

Enfim, ainda vou pensar se substituo os meus vestidos.  De qualquer forma, só o fato de estar refletindo sobre isso já mostra o quanto a minha visão sobre o consumo (principalmente em relação à indústria da moda) mudou. Não tinha pensando nisso até escrever esse post!  😀

 

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Tenho esse vestido há 10 anos! Essa foto é do ano passado, em Salvador.

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20 comentários sobre “Cansar de uma roupa é anti-minimalista?

  1. eu acho que é um pouco anti-minimalista, sim. mas isso é porque ando numa fase de aproveitar tudo, de maximizar os meus recursos.

    sendo assim, há outras soluções. existe alguma forma de transformares essa roupa e torná-la em algo que gostarias de usar? ou de lhe dares outro propósito? ou ainda ofereceres a alguém que irá amar usá-la?

    explora as tuas opções e tenho a certeza que encontrarás uma que te fará sentir bem e feliz. no final das contas, é isso que importa. (;

  2. Acho que não! 😛 Esses dias eu fui arrumar o guarda roupa e percebi que tenho 22 blusas, o que é pouquíssimo pra quem a um ano atrás tinha uma gaveta grande abarrotada.
    Eu tinha um monte de vestidos porque eu amava: vestido, coturno, meia-calça e bota. E mesmo eles estando em bom estado eu me desfiz da maioria (os que estavam em bom estado eu vendi e os que estavam mais usados eu doei).
    Acho que anti-minimalista é você deixar uma coisa ocupando seu espaço que não vai te trazer nenhum benefício. Se você estiver em dúvida seja sincera com você mesma: você se vê usando essa roupa? Você ainda tem algum motivo para manter ela na vida (tirando a dó/apego)? Eu acho que parte do minimalismo é manter as coisas essenciais na sua vida e entre elas, coisas que eu gosto e me fazem feliz. Se eu olho pra uma peça e só consigo pensar “aff mais uma vez vou sair com esse negócio” eu penso que já não é algo que me faz feliz.
    Nessa parte do consumo é um pouco mais delicado pra mim também que estou tentando consumir mais conscientemente. Mas acho que só de você ter essa ideia de que não quer comprar desenfreadamente para substituir coisas que você está cansada já é um grande passo. E eu penso que você não vai cansar tanto assim das coisas tão fácil né? Uma dica quando acho que cansei de algo ou não sei se quero doar/vender: eu separo numa sacola e guardo onde não consigo ver. Se em 3 meses (quando normalmente faço uma faxina geral) eu não sentir nem falta da peça, eu passo pra frente. Se durante os meses eu pensar que ela me fez falta eu já sei que não quero doar.

    Enfim, super textão 😛
    (um pedido, se puder fazer pedidos, haha: me indica lojas para consumo mais ético? estou tendo problemas com lojas desse tipo que não cobrem o olho da cara)

  3. Já aconteceu de eu me desfazer de algo, minha mãe guardar, e depois eu reencontrar a coisa e pensar: como me desfiz disso: É tão maravilhoso e durável! Foi uma surpresa feliz, amei a peça novamente, mas depois nem tava mais ligando tanto assim. Acho que comprar uma roupa porque vc não gosta mais da antiga é normal, o consumo consciente é vc saber que quer aquilo, de verdade. Nosso estilo muda, a gnt enjoa até do nosso corpo, imagina das roupas! Acho que se vc tá afim, vale a pena rever seu guarda roupa, pensar em outras formas de vestir essas coisas, com acessório diferentes, para locais diferentes (tenho um vestido que eu dizia que era de “festa”, tava só guardando, um dia deu vontade de coloquei ele pra dar um voltinha com uma sandália mais baixa: eu fiquei um luxo e super confortável!). Penso que se eu consigo pagar minhas necessidades, não faz mal eu comprar algo que me faça bem, afinal é meu dinheiro!

    • Oi Brunna! Me deram sugestões parecidas com as suas aqui nos comentários, e eu vou seguir as duas: avaliar se posso usar as peças de outras maneiras e deixá-las guardadas por um tempo, para ver se sinto falta. Também não vejo mal em fazer uma compra ou outra, mas agora estou tentando consumir de forma mais sustentável, e preciso ficar atenta a essas compras sem necessidade – porque convenhamos, eu não preciso de roupas novas, eu apenas quero.

  4. Eu acho que tudo depende do que o minimalismo é pra você: um meio ou um fim? Se é um fim, vc sempre vai estar presa à regras e a pode-não-pode, porque vai estar buscando o minimalismo por ele mesmo. Agora se ele for um meio, um meio de deixar sua vida mais leve, de te permitir aproveitar melhor os momentos, de espantar a ansiedade, entre outros motivos que você possa ter, acho que não tem nada de “anti minimalista nisso”.

    É sempre bom lembrar que consumo é diferente de consumismo e nós precisamos consumir pra viver hoje. O que o minimalismo nos favorece é pensar com consciência antes de consumir e fazer bom uso do que foi consumido. Mas também existe o fator alegria. A gente tem um compromisso de usar as coisas até o fim, mas se de algum forma aquele objeto já não te serve, porque sua vida ou voce mudou de alguma forma, só o que podemos fazer é pensar numa forma correta de passá-lo adiante, e eu acho que sempre existe uma maneira de fazer isso. Se vestir roupas que te façam sentir bonita e confortável é algo importante pra você, não deixe de fazer isso só porque algumas roupas que você tem ainda não acabaram. Sempre vai haver o que retirar da nossa vida, porque tanto ela quanto nós estamos sempre mudando.Por isso o minimalismo, na minha opinião, é um trabalho diário. Tem que se moldar à nossa vida à medida que a gente vive. E nos deixar feliz.

  5. Oi, Bárbara!
    Digamos que eu caí no seu blog de paraquedas, mas certamente ele estará no blogroll que estou construindo. Estou cada vez mais encantada com o minimalismo e é um baita dum apoio encontrar conteúdos como o seu. Ainda não tenho propriedade suficiente para falar deste estilo de vida, mas algo que prezo nessa caminhada chamada vida é estar de bem com tudo a minha volta. Digamos que eu esteja na sua pele: se eu tenho uma peça de roupa há 10 anos, mas que atualmente não condiz mais com o meu estilo ou não me faz mais feliz ao usá-la como antes, eu doaria. Assim, você estaria abrindo mão de uma peça para alguém que precisa e liberaria mais espaço para comprar uma nova. Se você decidir desapegar, foque o seu pensamento não no fato de que você está sendo anti-minimalista, mas pense em todos esses anos que você a usou e o quanto ela lhe fez feliz! 🙂
    Permita-se estar em constante evolução, minha cara.

    • Oi Anna, obrigada pelo comentário, fico feliz que tenha gostado do blog! Eu já costumo doar as roupas que não servem mais, e quando renovei meu guarda-roupa eu doei muita coisa que não me agradava na época. O problema agora é a compra do novo, que não sei se quero fazer. Vou continuar pensando sobre isso. Mas concordo com você, essas roupas me foram úteis por muito tempo, devo focar nisso. Abraços!

  6. Tudo que é vivido ao extremo pode ser prejudicial, é preciso equilíbrio. Já considerou trocar suas roupas num brechó? Faço isso principalmente com as roupas do meu filho ( que deixa tudo bem rápido) e dá muito certo.

  7. bom dia barbara…eu também não compro roupas a muito tempo ….antes comprava todo mês e bolsas e sapatos de montão kkkkk
    tenho vestidos de muito anos também mas todo fim de ano faco aquela faxina no armário e faco doações das pecas boas…consegui reduzir bastante e hoje tenho consumo consciente
    boa semana pra vc..amo seu blog
    bjs
    helen

    • Oi Helen! Antes eu fazia faxinas no armário 2x por ano, hoje faço apenas uma porque não tenho quase nada para doar, fico até feliz! Parabéns por estar conseguindo reduzir seu consumo também. Boa semana!

  8. Acho que isso acontece com todo mundo. Mas eu faço o que alguns falaram aqui, deixo guardada por tempo e, na maioria das vezes, volto a usar ou encontro uma maneira nova de combinar a peça. Eu tb amo customizar e transformar as roupas, então para mim é mais um motivo para guardar.

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