Compras (frustradas) para a pessoa que eu queria ser

Quem nunca comprou alguma coisa pensando não no valor que ela traria para a sua vida no momento da compra, mas no futuro, e acabou esquecendo essa compra em um armário qualquer? Eu sempre.

Um post no The Financial Diet sobre aspirational spending –  o hábito de comprar coisas que se adequam a uma versão idealizada de você mesma, e não à real  – me fez refletir sobre todas as compras que fiz (e ainda faço às vezes) que, em teoria, me transformariam em uma pessoa melhor. Mudar de estilo, ser mais saudável, adotar um novo hobby… Cada compra trazia a esperança de alcançar a pessoa que eu desejava ser mas, como previsto, nunca se concretizava:

  • Roupas/sapatos/acessórios que não tinham nada a ver comigo: hoje em dia não faço mais isso, mas antes de entender meu estilo e criar um guarda-roupa minimalista eu vivia comprando roupas que achava lindas mas não usava por um motivo ou por outro. Quando era adolescente também acontecia muito de comprar algo “mais feminino” só por pressão da minha mãe, como sapatos de salto alto. Tudo acabava encalhado no armário.
  • Planos de academia que não aproveitei como deveria: preciso fazer musculação. Odeio musculação. Não vou na academia. Jogo dinheiro fora.
  • Materiais para projetos que nunca foram executados: eu tenho muitas ideias para projetos de decoração, mas ás vezes eu me empolgo, compro os materiais e percebo que não vai ficar bom, ou acabo deixando para depois e nunca faço.
  • Cadernos maravilhosos que ficaram intactos na minha escrivaninha:Vou fazer um diário de viagens para registrar as lembranças dos lugares que eu visitar, vai ser ótimo”. Eu só não contei com a preguiça de escrever.
  • E-books que nunca foram lidos: quando comprei meu Kindle eu realmente pensei que ele iria facilitar a minha vida – e facilita, quando eu me digno a pegá-lo para ler alguma coisa, o que não tem acontecido com muita frequência.
  • Jogos que estão esperando no computador: chega a época de Steam Sales e eu compro pelo menos 4 jogos em promoção, me parabenizo por ter gastado menos que R$ 20, jogo um deles, esqueço os outros, e repito o processo no semestre seguinte.
  • Produtos de beleza que ficaram encalhados no banheiro: durante meu tratamento contra a acne, minha pele ficou muito seca então comprei um hidratante corporal. Minha pele continuou seca porque eu nunca lembro de passar o hidratante, e quando lembro fico com preguiça e acabo não usando.

Confesso que fazer essa lista me deixou um pouco revoltada, tanto com a minha ingenuidade de achar que adotaria certos hábitos quanto com o dinheiro desperdiçado nessas compras. Além disso, percebi que eu não estou organizando muito bem o meu tempo, porque eu gostaria de ler mais e de zerar meus jogos, mas nunca dá, já que eu estou sempre ocupada com outras coisas. Por fim, a lição que fica é que eu preciso refletir bastante antes de comprar coisas: elas precisam ser úteis para mim, não para a Bárbara que existe na minha cabeça – por melhor que ela seja.

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4 dicas para ter um guarda-roupa mais minimalista e sustentável

Ter um guarda-roupa minimalista não se resume apenas à quantidade de itens no armário – o modo como escolhemos, compramos e cuidamos de roupas, sapatos e acessórios é uma parte muito importante nesse processo. Hoje vou listar quatro práticas que adotei e não tem a ver com destralhe, definição de estilo ou criação de armário-cápsula, mas ajudam bastante a ter um armário mais minimalista:

1 – Consertar:

Antes de substituir uma roupa ou sapato que estragou, avalie se não é possível consertá-lo. Geralmente o custo-benefício é melhor e você não passa pelo estresse de procurar uma peça que te agrade, seja de qualidade e tenha um bom preço. Eu estava planejando comprar um novo par de botas para o inverno (até coloquei na minha lista), mas pensei melhor e decidir mandar reparar o meu par antigo, que estava perdendo as solas. Infelizmente o revestimento delas começou a descascar também, e isso não tem conserto, então precisei comprar um novo par. Contudo, o meu par antigo durou até agora, e isso me possibilitou achar um modelo muito parecido numa liquidação, o que já fez o conserto valer a pena.

2 – Customizar:

Às vezes o único problema com uma roupa é que ela já não nos agrada tanto. Nesses casos, antes de vender ou doar uma peça, avalie se não é possível customizá-la ou até mesmo transformá-la em outra (por exemplo: transformar uma calça jeans em shorts). Eu tinha uma blusa preta básica e nunca a usava por achá-la muito sem graça. Então procurei algumas ideias de customização no Pinterest, pedi para minha mãe me ajudar com a costura, e o resultado foi esse:

3 – Comprar usado:

Nunca tinha comprado em brechós, mas resolvi dar uma chance no mês passado, quando procurava um casaco mais quentinho para enfrentar o inverno. Passei por várias lojas mas nenhum modelo que vi me agradou – tinha muita coisa cara e de baixa qualidade – até que encontrei um casaco bem do jeito que eu queria, por um preço ótimo, num brechó perto do meu trabalho. Ao comprar roupas usadas, é importante garimpar e avaliar bem o custo-benefício, e não abusar  só por causa preço baixo.

4 – Comprar de quem faz:

Na hora de comprar roupas novas, caso seja possível, dê preferência às pequenas confecções ao invés das grandes marcas e das lojas de fast-fashion, assim você incentiva a produção local, paga um preço justo pelo trabalho de quem fez a roupa, e muitas vezes consegue um produto sob medida. Um exemplo: acabei de comprar o vestido da foto abaixo na loja Kisielevski por R$ 97,75 (com o frete). O vestido é muito bem feito e, além disso, tem bolsos! Considerando que qualquer vestidinho numa loja de fast-fashion custa o mesmo tanto ou mais (ainda que seja confeccionado num tecido pior – e sem bolsos), foi uma ótima compra.

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Alguém mais tem dicas para um guarda-roupa minimalista? Comentem!

Organizando as compras de itens não-essenciais

Tenho tentado maneirar nas compras de supérfluos desde que terminei o “jejum” do ano passado – e apesar de estar seguindo a minha lista de desejos (às vezes tirando uns itens e acrescentando outros), resolvi exercer um controle maior sobre essas compras, definindo um valor máximo que posso gastar por mês.

Reavaliei meu orçamento para esse ano e, depois de calcular o valor médio das minhas despesas mensais (fixas e variáveis) e separar o dinheiro para investir, defini uma parte da quantia que sobrou para gastos não essenciais – roupas, livros, jogos, móveis, sapatos, etc e tal.  Depois, defini um valor aproximado para todas as coisas que quero comprar ou fazer este ano, e a partir daí vou escolher com o que gastar todo mês, atentando para que as despesas não ultrapassem o teto estabelecido.

Por exemplo: digamos que eu tenha estabelecido um valor máximo de 400 reais para compras todo mês. Na minha lista temos:

  • 1 par de botas: 200
  • 1 escrivaninha: 350
  • 1 cadeira: 150
  • 1 camisa de manga longa: 80

Então, no mês de abril, eu escolho comprar a camisa, a cadeira e as botas, dando um total de 430 reais. E como incentivo para não gastar muito, já que eu ultrapassei 30 reais do limite, em maio eu poderei gastar apenas 370. Se eu não tivesse ultrapassado o limite, entretanto, a quantia que sobrou não poderia ser gasta no mês seguinte – tem que ter um desafio, afinal! 😀

Por quê eu estou fazendo isso? Apesar de ter reduzido bastante meus hábitos de consumo (já cansei de falar isso aqui), ainda fico meio afobada para comprar as coisas que estão na lista/que realmente quero. A escrivaninha, por exemplo, está no meu radar há tempos, mas ainda não tive chance  porque sempre passava outro item da wishlist na frente. Acredito que agora vou poder organizar melhor as minhas necessidades-não-tão-necessárias.

Jejum de compras: Dezembro e Considerações Finais

Chegamos ao final desse desafio de 1 ano de jejum de compras. O último mês foi assim:

O que eu quis comprar, mas não comprei:

  • Nada

O que eu comprei:

  • 1 necessaire pequena
  • 1 ingresso para um show no ano que vem
  • 4 jogos no Steam
  • 1 vidro de hidratante
  • 3 embalagens de cera para depilação

Do que eu me desfiz:

  • 1 sanduicheira de plástico

E afinal, o que eu aprendi com esse desafio?

Reli todos os posts do desafio, analisei minhas compras e destralhes, e percebi que:

  • A maior parte das minhas compras foi de coisas para casa, tanto de utilidades domésticas quanto decoração.
  • A maior parte dos meus destralhes foi de roupas, sapatos e acessórios.
  • Comprei poucos produtos de beleza, e apenas para substituir os meus que acabaram.
  • Nem tudo o que eu comprei era absolutamente necessário, mas tudo está sendo utilizado.
  • Só fiz uma compra por impulso da qual me arrependi – um marcador para biscoitos – e nem usei ainda. Felizmente foi super barato.
  • Segui quase todas as regras do desafio, menos as referentes ao cartão de crédito. Continuei usando o cartão normalmente, sem fazer dívidas absurdas, e comprei parcelado apenas uma vez.

À primeira vista, pode parecer que foi um jejum “fajuto”, já que fiz várias compras ao longo do ano, mas a diferença para mim foi grande. Com esse desafio, passei a ter muito mais consciência do meu volume mensal de compras. Às vezes eu pensava em adquirir algo, via a lista de coisas que comprei no mês e pensava “Nossa, já comprei demais! Melhor deixar para a próxima”. Muitas vezes acabei até desistindo.

A wishlist também me ajudou a focar nas prioridades. Quando eu me pegava cobiçando coisas lindas em lojas online, pensava se eu realmente precisava daquilo, e a resposta costumava ser não. Só isso já fez o desafio valer muito a pena para mim. Vou continuar fazendo uma lista de desejos anual, mas agora vou me permitir editá-la quando for necessário. Cada item deverá ficar na lista por pelo menos um mês antes de ser comprado, assim eu evito adquirir qualquer coisa por impulso.

Por fim, esse desafio serviu como uma preparação para o meu próximo ano sem compras, que espero fazer já em 2018.

Jejum de compras: Novembro

O que eu quis comprar, mas não comprei:

  • 1 infusor

O que eu comprei:

  • 1 calça jeans preta
  • 1 par de Havaianas
  • 1 caneco esmaltado
  • Presente de aniversário para o namorado
  • Materiais para DIY:
    • 3 vidros de corante para tecido
    • 1 rolo de cordão de São Francisco

Do que eu me desfiz:

  • 1 conjunto de calcinha e sutiã

Notas: Estive de férias no final do mês, viajei para Salvador com o meu namorado (daí a falta de post na semana passada). Dessa vez, não comprei nenhuma lembrancinha – meus gastos foram apenas com comida e transporte. De novo, comprei vários cupons de restaurantes no Peixe Urbano e acabei economizando bastante com alimentação. O único problema foi que perdi meus chinelos na praia no último dia (caíram da mochila e eu não percebi) e precisei comprar outro par na volta. Quanto aos demais gastos,  a calça jeans estava na lista e os outros eram pequenas necessidades. E o próximo mês é o último desse desafio!

Aos que ficam curiosos sobre mim, aqui está uma foto minha curtindo a praia da Penha em Salvador  :D

Aos que ficam curiosos sobre mim, aqui está uma foto minha curtindo a praia da Penha em Salvador 😀

“Leva as duas!”

Faz um tempo que estava precisando de uma bolsa para usar à noite; escrevi na lista de compras para esse ano e procurei bastante na internet e em várias lojas de BH, sem achar nada que me atendesse. Há uns dias fui em uma loja e vi dois modelos que me interessaram, mas por terem estilos diferentes eu fiquei em dúvida sobre qual levar. As vendedoras estavam tentando me convencer a levar o mais caro, por ser de couro (portanto, mais durável), mas como eu continuava indecisa, elas sugeriram que eu levasse ambas, assim poderia “variar”. Quando disse que só compraria uma mesmo, uma das vendedoras perguntou se levar as duas me “apertaria” – e elas ficaram ligeiramente chocadas quando eu disse que só queria uma porque precisava apenas de uma bolsa!

Estou contando isso porque é engraçado o quão enraizado está esse costume de comprar mais de uma peça de roupa, acessórios e etc. só porque a pessoa está indecisa. E para nós mulheres isso é incentivado, pois precisamos variar, estar na moda, etc. E a única justificativa possível para não comprar mais de um item seria a falta de dinheiro, o que prontamente é resolvido pelo cartão de crédito, parcelamentos infinitos, “compre agora e pague daqui a 60 dias” e afins.

Não estou condenando as vendedoras por sugerirem que eu comprasse mais de uma bolsa – sei que é o trabalho delas, e elas dependem da comissão das vendas, então naturalmente vão tentar fazer com que os clientes levem muitos produtos. Mas é inegável que essa estrutura de negócio só funciona em uma sociedade que consome intensa e constantemente – se você tem condições, você deve comprar, e se não tem, “parcelamos em até 5x no cartão”.

Uma das vendedoras ainda me disse: “nossa, queria ser que nem você, só comprar o que precisa… Mas se vejo uma bolsa que eu gosto eu compro uma preta que é curinga, levo uma vermelhinha para ‘dar uma cor’, aí preciso levar uma sapatilha para combinar… Ainda mais trabalhando aqui!”. (Será que devia ter apresentado a ela a “palavra do minimalismo” ? Fica a questão.  XD  )

Poucos anos atrás seria perfeitamente natural que eu levasse as duas bolsas… E ficasse com uma delas (ou ambas) encalhada no armário até acabar doando depois de muito tempo sem usar, ou por não gostar mais. Caramba, até esse ano eu doei coisas que tinha comprado há tempos e não usava! É bem difícil mudar essa mentalidade de consumo e passar a adquirir apenas o necessário. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer nesse quesito, principalmente no que diz respeito a compras para a casa… Ainda assim, fico feliz por estar progredindo. Meu bolso agradece!

Jejum de compras: Outubro

O que eu quis comprar, mas não comprei:

  • 1 aspirador de pó
  • 1 livro
  • 1 bolsa de mão retrô

O que eu comprei:

  • 1 moldura
  • 1 bolsa transversal pequena
  • 1 lata de tinta spray dourada
  • Materiais para reparos na casa:
    • 1 lata de argamassa
    • 1 espátula
    • 1 campainha
  • Produtos para cuidados estéticos:
    • 1 esmalte
    • 1 base para unhas
    • 1 vidro de acetona
    • Cera e folhas para depilação

Do que eu me desfiz:

  • O armário antigo da minha cozinha

Notas:

  1. A maioria das compras do mês foram para a casa, para decoração ou reparos.
  2. Ainda quero comprar mais molduras.
  3. Todos os produtos de beleza foram reposições.
  4. A bolsa é mais um item para riscar da lista. Só faltam 3!

Jejum de compras: Setembro

O que eu quis comprar, mas não comprei:

  • 1 vestido
  • 1 vasinho em forma de Bulbassauro

O que eu comprei:

  • 4 canetas douradas
  • 1 armário novo para a cozinha

Do que eu me desfiz:

  • 1 par de sapatilhas
  • Tudo o que eu listei nesse post

Notas: O armário foi a compra mais cara do mês. Não estava nos meus planos comprar um novo, mas a necessidade acabou aparecendo, vou falar sobre isso em outro post. Tirando isso, só comprei as canetas que precisava para decorar a parede, e apesar de desejar algumas bonitezas, resisti bravamente e não comprei. Também não risquei nada da wishlist de 2016 esse mês.

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O vasinho que estou cobiçando ❤

Jejum de compras: Agosto

O que eu quis comprar, mas não comprei:

  • Latas de chá

O que eu comprei:

  • 1 sacola ecológica
  • Organizadores de cabos
  • 1 vidro para sabonete líquido
  • 2 latas para café e açúcar
  • 3 molduras
  • Presentes:
    • 1 moeda antiga
    • 1 caixa de chocolates

Do que eu me desfiz:

  • 1 hidratante (fora de validade)

Notas: Fiz várias compras para a casa esse mês e acabei parcelando a maior delas no cartão, apesar de ser contra as regras do desafio. 😦 Finalmente comprei algumas molduras, mas não todas que precisava. Talvez para o próximo mês.

Apesar de ter definido que poderia comprar um presente para mim no meu aniversário, achei que já tinha gastado bastante com a viagem para Curitiba e compras para a casa, por isso não comprei nada.

Jejum de compras: Julho

O que eu quis comprar, mas não comprei:

  • Tinta spray dourada

O que eu comprei:

  • 1 cafeteira italiana
  • 1 espelho para o quarto
  • 1 marcador para biscoitos
  • 1 filtro de linha
  • 3 ganchos de parede adesivos
  • 1 rolo de fita crepe
  • 1 jogo no Steam

Do que eu me desfiz:

  • 1 faixa de cabelo
  • 1 bolsa de mão preta
  • 1 filtro de linha

Notas:

A maioria das compras desse mês foram de coisas para a casa que eu já precisava há um tempo. Finalmente consegui um espelho para o quarto! E o marcador de biscoitos, apesar de super barato, foi desnecessário. Poderia ter economizado esse dinheiro.

Sobre a cafeteira: quase não bebo café em casa, mas queria uma cafeteira italiana porque poderia fazer café em pouca quantidade e sem me preocupar com coador/filtros/etc quando realmente tivesse vontade de tomar. Pretendia deixar a compra para o futuro, mas um colega de trabalho foi para a Itália e ofereceu para trazer uma coisa ou outra que quiséssemos, então pedi que ele comprasse uma cafeteira italiana verdadeiramente italiana para mim. Agora tenho uma cafeteira bem mais viajada que eu. 😀

Atualizei um desejo da lista: ao invés de comprar um porta-guardanapos, pretendo comprar quatro guardanapos de pano e usá-los no lugar dos de papel.