Documentário: The True Cost

Ontem eu assisti ao documentário The True Cost, que mostra os impactos da indústria da moda e do consumismo na vida dos trabalhadores e no planeta. Apesar de já saber sobre como a indústria opera usando trabalho escravo em países subdesenvolvidos (os sweatshops), a maioria das informações do filme foram novidade para mim, como por exemplo o uso de algodão geneticamente modificado para a fabricação de tecidos e como os agrotóxicos/resíduos químicos estão contaminando, adoecendo e matando as populações dos lugares onde essas indústrias produzem.

Como o documentário mesmo diz, não costumamos pensar muito na origem de uma peça de roupa além da loja onde compramos, e esse é um dos motivos pelos quais a indústria pôde crescer tanto em cima de práticas tão questionáveis, para dizer o mínimo. Mas a culpa não é só dos consumidores. Vivemos num mundo capitalista e materialista, onde o consumo constante é incentivado e mostrado como um meio de atingir a felicidade ou uma vida melhor. Ao mesmo tempo em que as grandes corporações pregam o consumo desenfreado, elas pressionam os fornecedores de matéria-prima por um preço cada vez menor, aumentando seus lucros exponencialmente. Quem paga, no fim das contas, são os trabalhadores e o planeta.

O filme me fez perceber que apesar de não ser tão consumista quanto a maioria, eu também falho em saber de onde vêm as roupas e acessórios que compro, se a produção é ética ou não. Eu evito comprar em lojas de departamento por causa das denúncias de trabalho escravo que a maioria delas recebeu, mas minhas ações só vão até aí. Agora eu pretendo pesquisar mais sobre consumo consciente e me aprofundar no assunto, mudar meus hábitos e saber de onde vem o produto que estou comprando. Acredito que a mudança deve partir de nós, consumidores, pois as indústrias jamais vão pensar nos trabalhadores e na natureza em detrimento do lucro, a não ser que sejam pressionadas a isso.

O documentário The True Cost está disponível na Netflix.


Já responderam à pesquisa de opinião sobre o blog? Quem não respondeu, pode vir aqui nesse link. A pesquisa vai ficar disponível até o fim do mês. Agradeço desde já!

Organizando as compras de itens não-essenciais

Tenho tentado maneirar nas compras de supérfluos desde que terminei o “jejum” do ano passado – e apesar de estar seguindo a minha lista de desejos (às vezes tirando uns itens e acrescentando outros), resolvi exercer um controle maior sobre essas compras, definindo um valor máximo que posso gastar por mês.

Reavaliei meu orçamento para esse ano e, depois de calcular o valor médio das minhas despesas mensais (fixas e variáveis) e separar o dinheiro para investir, defini uma parte da quantia que sobrou para gastos não essenciais – roupas, livros, jogos, móveis, sapatos, etc e tal.  Depois, defini um valor aproximado para todas as coisas que quero comprar ou fazer este ano, e a partir daí vou escolher com o que gastar todo mês, atentando para que as despesas não ultrapassem o teto estabelecido.

Por exemplo: digamos que eu tenha estabelecido um valor máximo de 400 reais para compras todo mês. Na minha lista temos:

  • 1 par de botas: 200
  • 1 escrivaninha: 350
  • 1 cadeira: 150
  • 1 camisa de manga longa: 80

Então, no mês de abril, eu escolho comprar a camisa, a cadeira e as botas, dando um total de 430 reais. E como incentivo para não gastar muito, já que eu ultrapassei 30 reais do limite, em maio eu poderei gastar apenas 370. Se eu não tivesse ultrapassado o limite, entretanto, a quantia que sobrou não poderia ser gasta no mês seguinte – tem que ter um desafio, afinal! 😀

Por quê eu estou fazendo isso? Apesar de ter reduzido bastante meus hábitos de consumo (já cansei de falar isso aqui), ainda fico meio afobada para comprar as coisas que estão na lista/que realmente quero. A escrivaninha, por exemplo, está no meu radar há tempos, mas ainda não tive chance  porque sempre passava outro item da wishlist na frente. Acredito que agora vou poder organizar melhor as minhas necessidades-não-tão-necessárias.

“Leva as duas!”

Faz um tempo que estava precisando de uma bolsa para usar à noite; escrevi na lista de compras para esse ano e procurei bastante na internet e em várias lojas de BH, sem achar nada que me atendesse. Há uns dias fui em uma loja e vi dois modelos que me interessaram, mas por terem estilos diferentes eu fiquei em dúvida sobre qual levar. As vendedoras estavam tentando me convencer a levar o mais caro, por ser de couro (portanto, mais durável), mas como eu continuava indecisa, elas sugeriram que eu levasse ambas, assim poderia “variar”. Quando disse que só compraria uma mesmo, uma das vendedoras perguntou se levar as duas me “apertaria” – e elas ficaram ligeiramente chocadas quando eu disse que só queria uma porque precisava apenas de uma bolsa!

Estou contando isso porque é engraçado o quão enraizado está esse costume de comprar mais de uma peça de roupa, acessórios e etc. só porque a pessoa está indecisa. E para nós mulheres isso é incentivado, pois precisamos variar, estar na moda, etc. E a única justificativa possível para não comprar mais de um item seria a falta de dinheiro, o que prontamente é resolvido pelo cartão de crédito, parcelamentos infinitos, “compre agora e pague daqui a 60 dias” e afins.

Não estou condenando as vendedoras por sugerirem que eu comprasse mais de uma bolsa – sei que é o trabalho delas, e elas dependem da comissão das vendas, então naturalmente vão tentar fazer com que os clientes levem muitos produtos. Mas é inegável que essa estrutura de negócio só funciona em uma sociedade que consome intensa e constantemente – se você tem condições, você deve comprar, e se não tem, “parcelamos em até 5x no cartão”.

Uma das vendedoras ainda me disse: “nossa, queria ser que nem você, só comprar o que precisa… Mas se vejo uma bolsa que eu gosto eu compro uma preta que é curinga, levo uma vermelhinha para ‘dar uma cor’, aí preciso levar uma sapatilha para combinar… Ainda mais trabalhando aqui!”. (Será que devia ter apresentado a ela a “palavra do minimalismo” ? Fica a questão.  😄  )

Poucos anos atrás seria perfeitamente natural que eu levasse as duas bolsas… E ficasse com uma delas (ou ambas) encalhada no armário até acabar doando depois de muito tempo sem usar, ou por não gostar mais. Caramba, até esse ano eu doei coisas que tinha comprado há tempos e não usava! É bem difícil mudar essa mentalidade de consumo e passar a adquirir apenas o necessário. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer nesse quesito, principalmente no que diz respeito a compras para a casa… Ainda assim, fico feliz por estar progredindo. Meu bolso agradece!