Documentário: Minimalism

Na onda dos documentários, assisti há uns dias o “Minimalism: A Documentary About the Important Things”, que acompanha os criadores do site The Minimalists na turnê de lançamento do livro deles. Vários minimalistas famosos participam do filme, como o Leo Babauta do Zen Habits e a Courtney Carver, criadora do Projeto 333.

Apesar de ser um documentário interessante, duas coisas não me agradaram. A primeira é que quase todos os minimalistas que aparecem tem a mesma história de vida: possuíam  um ótimo emprego, salário de 6 dígitos, casa e carro próprios aos 20 e poucos anos mas eram infelizes, então resolveram largar tudo e partir em busca de uma vida mais simples, com mais significado. Ainda que essa seja uma narrativa válida, eu fico incomodada por ela ser a única mostrada no filme. Eu já disse que uma das coisas que não gosto no movimento minimalista é a falta de reflexão sobre privilégios de classe – é inegável que poder “largar tudo” é um privilégio para poucos, e o documentário pode passar a sensação de que minimalismo é apenas uma nova mania de gente rica (e pode ser mesmo).

Eu, por exemplo, não sou nada como as pessoas mostradas no filme: apesar de estar na classe média (e portanto, numa situação melhor que a de muita gente no país), nunca tive “tudo”. Na verdade, eu adotei o minimalismo justamente para não perseguir uma vida que nunca poderei ter, para não gastar loucamente e me endividar correndo atrás de um padrão visto como ideal pela sociedade, mas que é restrito a poucos. Sei que tem muita gente na mesma situação por causa dos blogs e sites que leio, então gostaria que o documentário tivesse mostrado essa realidade também!

A outra coisa que não gostei foi não terem dado nome aos bois na hora de apontar as causas do consumo desenfreado e da insatisfação que toma conta de cada vez mais pessoas. Um neurologista que foi entrevistado chega até a afirmar que faz parte do cérebro humano querer mais e mais, e é assim desde o início dos tempos, mas ninguém fala a palavrinha mágica: capitalismo. Não tem outra justificativa – a sociedade em que vivemos está estruturada em uma economia que visa crescimento e lucro eternos, é necessário consumirmos cada vez mais (e mais rápido) para manter a economia girando, e para consumirmos nesse volume e velocidade somos bombardeados diariamente com mensagens e anúncios dizendo que só seremos felizes e teremos a vida perfeita se comprarmos os produtos X, Y e Z. Isso é tão básico que achei estranho não abordarem. O The True Cost fala muito bem sobre isso, apesar de ser focado na indústria da moda.

Tirando esses pontos, é um bom documentário. Eu fico feliz em saber que o conceito de minimalismo está se espalhando e alcançando mais pessoas, e que muita gente está realmente repensando seu modo de vida e hábitos de consumo, e buscando o que é melhor para si. Minimalism tem bons exemplos de pessoas que adotaram a simplicidade, e eu recomendo a todos que quiserem uma inspiração para seguir por esse caminho. O filme está disponível na Netflix.


Já responderam à pesquisa de opinião sobre o blog? Quem não respondeu, pode vir aqui nesse link. A pesquisa vai ficar disponível até o fim do mês. Agradeço desde já!

Minimalismo: filosofia x estética

O post de ontem rendeu ótimos comentários, em especial este da Mary, do qual gostei tanto que pedi para publicar aqui como adendo ao que escrevi ontem. Segue o comentário dela:

Eu acho que o grande problema é que hoje as pessoas confundem filosofia minimalista com estética minimalista, e apesar te existir uma pequena relação aí, uma coisa não depende da outra. A estética minimalista de que você fala no post está mesmo em alta, e eu também tô meio enjoada de ver por aí. Mas uma pessoa ter uma casa toda preta, branca e cinza não quer dizer que você é minimalista, alias pode ser até o contrario, como você bem disse. A filosofia minimalista, por outro lado, é isso mesmo, uma forma de vida que, sem querer soar clichê, vem de dentro, tem a ver com organizar primeiro nossa mente, nossos valores, é só depois, por consequência, vem se refletir na nossa vida diária. É como eu escrevi uma vez num post que eu fiz, uma citação que li em algum lugar: minimalismo não é ter uma quantidade pequena de coisas, mas a quantidade perfeita delas. O que acontece hoje é a estética minimalista, que é outra coisa, sem banalizou por aí e as pessoas confundem as coisas. Mas pra mim, minimalismo como forma de vida não está sujeito à essa estética. E por causa dessa confusão, vemos conteúdos com conceitos trocados por aí, e fica difícil pra quem de fato quer estudar o tema encontrar material de qualidade. Em outras palavras, encerrando esse textão, uma pessoa minimalista pode viver numa casa toda colorida, enquanto alguém que vive numa casa toda nórdica e pálida pode não fazer ideia do que é minimalismo….

Obrigada pela reflexão , Mary!

O que eu não aprecio no minimalismo

Há anos me dedico a falar neste blog sobre como é bom adotar um estilo de vida minimalista, mas hoje resolvi ser hater e escrever sobre algumas tendências das quais não gosto nesse meio. Aqui vão elas:

Tudo preto, branco e cinza
Apesar de adorar essas cores (branco só para decoração, roupas jamais), existe uma falsa noção de que para se ter uma casa ou um estilo minimalista, você não pode sair desse espectro. É só procurar “minimalismo” no Pinterest para ser bombardeada por fotos de casas e roupas monocromáticas, e isso me cansa às vezes.

Destralhe, destralhe e mais destralhe
Entendo que é importante se livrar das coisas desnecessárias para ter uma casa mais organizada, e que isso é um processo contínuo, mas eu gostaria de ver mais conteúdo além disso nos blogs/sites e no Pinterest. A maioria esmagadora dos posts sobre minimalismo tem a ver com destralhe, e depois de ter adotado esse hábito, eu fico pensando “Ok, e agora? O que mais eu posso fazer?”, mas acho pouca coisa que me inspire.

Listas de itens essenciais para o guarda-roupa
Como disse nesse post, não gosto de listas de roupas essenciais porque elas são muito impessoais. Cada um tem seu estilo, e o que é essencial para mim pode não ser para outras pessoas.

Poucos móveis num espaço imenso
É verdade que o movimento minimalista se originou nas artes, no design e na arquitetura, sendo relacionado mais à estética que ao uso de espaço ou quantidade de objetos, mas eu não consigo deixar de achar estranho quando vejo fotos de casas gigantescas, porém com poucos móveis, sendo chamadas de minimalistas. Não seria melhor ocupar menos espaço?

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Começar a ser minimalista comprando “coisas minimalistas”
Às vezes eu leio relatos de pessoas dizendo que remodelaram todo o guarda-roupa ou a casa para se adequar ao modo de vida minimalista, e eu não consigo deixar de ver a ironia da situação: consumir mais, gastar dinheiro e gerar mais lixo não deveria ser considerado minimalista, por mais que sua casa e suas roupas agora sejam todas pretas, brancas e cinza! 😀

Falta de reflexão sobre privilégios
Pouco se fala sobre isso, mas a verdade é que poder adotar uma vida simples, reduzir posses e gastos supérfluos é um privilégio para pessoas de classe média/classe alta. Quantas pessoas no Brasil podem, como eu, separar um valor X por mês para gastar com não-essenciais? Às vezes as pessoas se perdem no discurso de “é possível ter uma vida minimalista, é só querer”, sendo que a maioria não vive com menos por opção, e sim por necessidade. Não quero me colocar como melhor que ninguém – até porque meu discurso nesse blog também é bastante classe média), só quero apontar que é necessário fazer essa reflexão de vez em quando.

E vocês, leitores, tem alguma coisa que não gostam no minimalismo? Me contem nos comentários!

Organizando as compras de itens não-essenciais

Tenho tentado maneirar nas compras de supérfluos desde que terminei o “jejum” do ano passado – e apesar de estar seguindo a minha lista de desejos (às vezes tirando uns itens e acrescentando outros), resolvi exercer um controle maior sobre essas compras, definindo um valor máximo que posso gastar por mês.

Reavaliei meu orçamento para esse ano e, depois de calcular o valor médio das minhas despesas mensais (fixas e variáveis) e separar o dinheiro para investir, defini uma parte da quantia que sobrou para gastos não essenciais – roupas, livros, jogos, móveis, sapatos, etc e tal.  Depois, defini um valor aproximado para todas as coisas que quero comprar ou fazer este ano, e a partir daí vou escolher com o que gastar todo mês, atentando para que as despesas não ultrapassem o teto estabelecido.

Por exemplo: digamos que eu tenha estabelecido um valor máximo de 400 reais para compras todo mês. Na minha lista temos:

  • 1 par de botas: 200
  • 1 escrivaninha: 350
  • 1 cadeira: 150
  • 1 camisa de manga longa: 80

Então, no mês de abril, eu escolho comprar a camisa, a cadeira e as botas, dando um total de 430 reais. E como incentivo para não gastar muito, já que eu ultrapassei 30 reais do limite, em maio eu poderei gastar apenas 370. Se eu não tivesse ultrapassado o limite, entretanto, a quantia que sobrou não poderia ser gasta no mês seguinte – tem que ter um desafio, afinal! 😀

Por quê eu estou fazendo isso? Apesar de ter reduzido bastante meus hábitos de consumo (já cansei de falar isso aqui), ainda fico meio afobada para comprar as coisas que estão na lista/que realmente quero. A escrivaninha, por exemplo, está no meu radar há tempos, mas ainda não tive chance  porque sempre passava outro item da wishlist na frente. Acredito que agora vou poder organizar melhor as minhas necessidades-não-tão-necessárias.

Minimalismo: até onde cheguei e para onde vou?

Passaram-se quase quatro anos desde que descobri e adotei esse estilo de vida chamado minimalismo, até hoje. Durante todo esse tempo, sempre busquei simplificar a minha vida cada vez mais, li vários materiais sobre o assunto e procurei realizar todas as práticas “básicas” de minimalismo que podia. Acontece que ultimamente ando com a impressão de que estou encontrando muito “mais do mesmo” nas minhas leituras, já que implementei grande parte das dicas que dão em blogs/sites sobre minimalismo.

Não acho que já sei tudo e sou a minimalistona, pelo contrário! Acredito que ainda tenho um longo caminho a percorrer para conseguir uma vida mais simples, mas quero sair do básico, do destralhe, do Desafio das 100 Coisas, do “corte gastos com TV a cabo e academia”. Para isso, analisei a minha trajetória no minimalismo desde o início do blog e listei as principais mudanças que fiz na minha vida até então:

  • Mudei minha mentalidade e meus hábitos de consumo
  • Me desafiei a ficar 1 ano sem compras
  • Destralhei minha casa e meu armário
  • Criei um guarda roupa minimalista, que atende as minhas necessidades
  • Passei a controlar minhas finanças e reduzi/eliminei vários gastos
  • Adotei a regra do “um-entra-um-sai
  • Inventariei minhas roupas, sapatos e acessórios
  • Adotei o faça-você-mesmo
  • Passei a me preocupar mais com organização
  • Passei a economizar mais e guardar dinheiro antecipadamente para compras/viagens ao invés de me endividar

E agora, como ir além?

  • Reduzir minha produção de lixo: o movimento “lixo zero” é tendência no mundo minimalista. Vou começar aos poucos, prestando atenção na quantidade de lixo que produzo em casa e reciclando, coisa que não faço atualmente.
  • Fazer compras de forma mais inteligente, principalmente no supermercado: sei que posso economizar mais se adotar hábitos básicos, como comprar em verduras em sacolões ao invés do supermercado, que não faço hoje por pura preguiça. Hora de mudar isso!
  • Organizar melhor a minha casa: não basta meu apartamento ser organizado, eu quero que ele seja organizado de uma maneira bonita.  😉
  • Usar meu tempo de maneira mais eficiente: eu vivo deixando algumas tarefas de lado (inclusive meu próprio sono) por má-administração do meu tempo.
  • Passar 1 ano sem compras novamente: na primeira vez que fiz o desafio, ainda era muito “imatura” no minimalismo e acabei comprando várias coisas. Pretendo cumprir o desafio certinho da próxima!
  • Mudar minha relação com as redes sociais: eu reclamo da falta de tempo, largo o celular, desativo meus perfis no Facebook e Twitter e logo depois estou de volta… As redes sociais (outros conteúdos da internet também, mas elas principalmente) são o meu fraco, e quero muito reduzir o tempo que gasto com elas.

Não pretendo deixar de fazer o básico: ficar de olho no consumo, não ceder às compras por impulso, economizar e destralhar periodicamente são práticas que devo levar para a vida toda. Ainda assim, é bom abrir espaço para o novo.

“Leva as duas!”

Faz um tempo que estava precisando de uma bolsa para usar à noite; escrevi na lista de compras para esse ano e procurei bastante na internet e em várias lojas de BH, sem achar nada que me atendesse. Há uns dias fui em uma loja e vi dois modelos que me interessaram, mas por terem estilos diferentes eu fiquei em dúvida sobre qual levar. As vendedoras estavam tentando me convencer a levar o mais caro, por ser de couro (portanto, mais durável), mas como eu continuava indecisa, elas sugeriram que eu levasse ambas, assim poderia “variar”. Quando disse que só compraria uma mesmo, uma das vendedoras perguntou se levar as duas me “apertaria” – e elas ficaram ligeiramente chocadas quando eu disse que só queria uma porque precisava apenas de uma bolsa!

Estou contando isso porque é engraçado o quão enraizado está esse costume de comprar mais de uma peça de roupa, acessórios e etc. só porque a pessoa está indecisa. E para nós mulheres isso é incentivado, pois precisamos variar, estar na moda, etc. E a única justificativa possível para não comprar mais de um item seria a falta de dinheiro, o que prontamente é resolvido pelo cartão de crédito, parcelamentos infinitos, “compre agora e pague daqui a 60 dias” e afins.

Não estou condenando as vendedoras por sugerirem que eu comprasse mais de uma bolsa – sei que é o trabalho delas, e elas dependem da comissão das vendas, então naturalmente vão tentar fazer com que os clientes levem muitos produtos. Mas é inegável que essa estrutura de negócio só funciona em uma sociedade que consome intensa e constantemente – se você tem condições, você deve comprar, e se não tem, “parcelamos em até 5x no cartão”.

Uma das vendedoras ainda me disse: “nossa, queria ser que nem você, só comprar o que precisa… Mas se vejo uma bolsa que eu gosto eu compro uma preta que é curinga, levo uma vermelhinha para ‘dar uma cor’, aí preciso levar uma sapatilha para combinar… Ainda mais trabalhando aqui!”. (Será que devia ter apresentado a ela a “palavra do minimalismo” ? Fica a questão.  😄  )

Poucos anos atrás seria perfeitamente natural que eu levasse as duas bolsas… E ficasse com uma delas (ou ambas) encalhada no armário até acabar doando depois de muito tempo sem usar, ou por não gostar mais. Caramba, até esse ano eu doei coisas que tinha comprado há tempos e não usava! É bem difícil mudar essa mentalidade de consumo e passar a adquirir apenas o necessário. Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer nesse quesito, principalmente no que diz respeito a compras para a casa… Ainda assim, fico feliz por estar progredindo. Meu bolso agradece!

“Peças que você precisa ter”. Precisa mesmo?

Outro dia estava checando as estatísticas do blog e vi que alguém chegou até aqui utilizando o termo de busca “peças minimalistas tem que ter”. Fiquei pensando nesse termo, “tem que ter”, tão repetido por aí. É difícil encontrar uma revista ou um site voltado para o público feminino que não contenha artigos com os títulos “X itens essenciais para esse verão” ou “Y coisas que toda mulher deve ter no guarda-roupa”. A imagem a seguir é um exemplo:

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“Essenciais” pra quem?

Reparem na quantidade: 50 itens! E esses são “só” os essenciais, hein? Sem contar as peças que estão na moda agora, como jeans flare, calça skinny colorida, colete de pelos… Você compra essa roupa “essencial” hoje, daqui a um ano ela está over e você fica com uma calça boca-de-sino encalhada em casa.

Eu realmente fico irritada com essas listas “tem que ter” porque, além de mudarem a cada estação e incentivarem o consumismo, elas nunca levam em conta nosso estilo de vida ou nossos gostos. Anos atrás eu comecei um estágio numa empresa onde minha chefe pediu que eu me vestisse um pouco “mais arrumada”. Sem ter ideia do que usar, segui uma dessas listas de essenciais e comprei, entre outras coisas, um exemplar da famigerada camisa branca “curinga”, que está presente em 9 de cada 10 listas de must-haves.

Com o tempo, eu fui ficando com ódio mortal da camisa. Ela sujava fácil, restringia meus movimentos, não combinava com as outras roupas que eu usava no dia-a-dia (só podia usar no trabalho)… Eu me sentia mal em usá-la e me livrei dela assim que pude. Se eu tivesse mais consciência na época, teria comprado roupas que, combinadas da maneira certa, serviriam tanto para o trabalho quanto para saídas casuais, como algumas blusas que tenho hoje!

No meio minimalista também existem essas listas de “essenciais”, vide o exemplo:

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A maioria dos itens é genérico (só a blusa cropped é peça “da moda”), mas não gosto da definição das quantidades. Eu realmente preciso de 3 blazers no meu armário? E dois vestidos de festa?

Minha intenção com esse post não é dizer todas as listas desse tipo são ruins, mas sim que devemos tomar cuidado com elas. Buscar inspiração é sempre válido e, para quem ainda está insegura sobre o próprio estilo, essas listas (principalmente as ilustradas) são um bom material de base. Mas o mais importante é consideras as suas necessidades e os seus gostos. Quem deve definir o que você “tem que ter” é você, apenas!

Links úteis para quem quer simplificar o armário:

  1. Podcast do blog Ana Go Slowly “Simplificar o Guarda Roupa
  2. Definindo meu estilo-assinatura, partes I, II e III
  3. Como planejar um armário minimalista

Reformar ao invés de substituir

No fim do mês passado levei dois pares de sapato para o conserto. Ambos (um All Star e uma sapatilha) estavam com as solas bem gastas, mas com estrutura superior ainda em bom estado. O sapateiro fez os reparos necessários e me cobrou R$ 80 pelo serviço.

Algumas pessoas poderiam dizer “mas Bárbara, por esse preço você compraria um novo par de sapatos!” Dependendo da marca dos sapatos, até que seria verdade. Mas tanto a sapatilha quanto o tênis são feitos de couro, e só o All Star custou o dobro desse valor. Já contei aqui no blog que prefiro pagar mais caro por sapatos que são duráveis, principalmente tênis, porque é o que eu mais uso no dia-a-dia. E não posso me dar ao luxo de descartar um calçado que custou caro se ele ainda é “consertável”.

Outro motivo pelo qual prefiro mandar reformar os sapatos é porque eles já são do meu gosto. Hoje em dia sou muito chata para compras, só adquiro o que considero bonito e de qualidade, e prefiro peças simples. Um exemplo: passei meses e meses procurando uma sapatilha preta básica e não conseguia achar de jeito nenhum, porque é basicamente impossível encontrar qualquer sapatilha que não seja lotada de apliques, strass, fivelas, etc. O que eu quero dizer é que não vale a pena para mim passar pelo estresse de sair para comprar sapatos novos.

E por fim, além de gastar menos e continuar com itens que amo no meu guarda-roupa, não produzo lixo à toa. Só vantagens. O mesmo vale para roupas: já mandei ajustar roupas que estavam largas, dar bainha, etc. Minha mãe sabe costurar, então às vezes ela mesma faz essas coisas para mim. Inclusive, acho que costurar é uma boa habilidade para se adquirir – mesmo quem não cria peças do zero pode economizar bastante ajustando as próprias roupas. Talvez um dia, quando eu tiver tempo e espaço para uma máquina de costura, eu me aventure nessa área.

Não é que dias depois de trazer meus sapatos do conserto, vi que meu par de botas (que amo), está quase perdendo as solas?! Logo logo ele vai fazer uma “visita” ao sapateiro também!

Destralhando meu armário nº 2

Fui visitar a minha mãe nesse fim de semana, e ela me disse que queria doar minhas roupas antigas porque estavam ocupando espaço e estragando nas gavetas. De fato, depois que mudei para BH, deixei algumas roupas guardadas para usar quando estivesse em Caeté. Acontece que eu não vou lá com muita frequência, e quando vou acabo passando os dias de pijama ou usando as roupas que vesti para viajar. Nas raras ocasiões em que eu precisava vestir minhas roupas antigas eu não me sentia muito bem, já que a maioria delas já não condizia com o meu estilo atual ou estavam gastas. Resolvi então fazer como a minha mãe queria e separei todas as minhas roupas para doar.

Mesmo estando velhas (suspeito que alguns itens mais antigos tenham uns 10 anos!), a maioria está em ótimas condições. O máximo de “estrago” que algumas tem é o tecido desbotado, e outras foram usadas tão pouco que nem parecem ser antigas. Como tudo está utilizável, achei melhor repassar essas roupas para alguém que vai fazer um bom uso delas que deixá-las mofando nas gavetas.

O único problema é que não terei mais nada para usar quando estiver na casa da minha mãe. Ela me disse para levar minhas roupas mais velhas de BH para lá, mas no momento não quero/preciso me desfazer de nenhum item do meu guarda-roupa… De qualquer forma, vou deixar para lidar com isso mais tarde.

Roupas que estavam na casa da minha mãe e foram separadas para doação (esqueci de tirar foto!):

  • 3 calças jeans
  • 2 pijamas de frio
  • 2 casacos
  • 2 camisetas
  • 9 camisas de manga curta
  • 3 camisas de manga comprida
  • 2 shorts

O que sobrou:

  • 1 pijama para o calor
  • 1 pijama para o frio
  • 1 camisola
  • Roupas íntimas e meias

Mais, Menos e Nenhum

O post de hoje é inspirado nesse, do blog Be More With Less. A ideia é fazer três listas com as coisas que quero mais, menos, e as que eu não quero na minha vida, para então fazer as alterações necessárias. Minhas listas ficaram assim:

Mais

  • Tempo livre: ultimamente eu sinto que não tenho tempo para nada. Por mais que tenha muitos compromissos, sei que isso também se deve à procrastinação e a uma rotina meio desorganizada.
  • Hábitos saudáveis: preciso voltar a praticar exercícios físicos, quero comer mais alimentos saudáveis e reduzir fast-food e refrigerantes. Já fiz algumas mudanças na minha alimentação (como mostrei no desafio de comida saudável) mas ainda estou caminhando a passos lentos.
  • Horas de sono: estava seguindo minha rotina direitinho, mas aí veio Masterchef e eu desandei totalmente, passei a dormir tarde, acordar tarde e ficar sempre cansada. Depois de uns dois meses assim, só comecei a mudar meus hábitos de sono nessa semana.
  • Tempo com as amigas: só consigo sair com minhas amigas uma vez por mês, infelizmente é difícil para todas nós conciliar os horários livres. Ainda assim, gostaria de ter mais contato com elas, só preciso achar meios.
  • Comprometimento: com a minha rotina toda bagunçada ficou bem difícil me dedicar aos meus compromissos. Larguei a academia e o Krav-Maga (temporariamente) e fiquei meio relapsa com as tarefas da casa (e com meus projetinhos de decoração). Quero voltar a me organizar e me dedicar aos meus compromissos novamente.

Menos

  • Gastos: por mais que eu não gaste tanto com supérfluos quanto antes, ainda existem despesas que posso diminuir. Também gostaria fazer compras de forma mais “inteligente”, principalmente no supermercado.
  • Redes sociais: ainda perco bastante tempo navegando em redes sociais, e estou considerando desativar minhas contas no Facebook e no Twitter por um tempo.
  • Distrações durante as refeições: já larguei o hábito de mexer no celular durante o almoço, mas sempre tomo café da manhã olhando as redes sociais e quando estou em casa não sei almoçar/jantar sem a Netflix ligada.
  • Visitas a lojas online: às vezes abro sites de lojas só “para ver as novidades” (principalmente lojas gringas), e mesmo sem comprar nada, isso acaba alimentando o desejo de consumir.

Nenhum

  • Ler os comentários/tretas de internet: sempre que abro algum post no Facebook ou alguma notícia acabo lendo os comentários e só fico decepcionada, principalmente quando o assunto é feminismo ou política. É triste ver o quanto as pessoas se prendem ao senso comum, e como elas não vão mudar a mentalidade, é melhor me abster de ler esse tipo de coisa, pelo meu próprio bem.
  • Convívio com pessoas tóxicas: por mais que eu seja “obrigada” a conviver com algumas pessoas com as quais não tenho afinidade (no trabalho, por exemplo), pretendo manter essa convivência apenas dentro do mínimo necessário.

 

Dá para perceber que a maioria dos itens dependem de uma alteração na minha rotina, né? Já comecei a fazer algumas mudanças e espero mantê-las. É um processo gradual e vai exigir bastante comprometimento para manter a minha rotina nos eixos, mas vai valer a pena.