“Louca dos esmaltes”? Não mais

É engraçado como nossos gostos vão mudando com o tempo e a gente nem percebe.

Em 2013 escrevi um post sobre o quanto eu adorava esmaltes e outro, um mês depois, contando que eu me descontrolei e comprei muito mais esmaltes do que deveria. Nessa época eu tinha 7 vidros de cores diferentes e achava pouco!

Quase cinco anos depois, minha caixa de esmaltes hoje tem 4 vidros: um vermelho, um preto, um cinza, e um dourado que comprei por nostalgia mas me achei ridícula usando. O cinza já está acabando e acho que nem vou comprar outro – vou usar apenas vermelho e preto a partir daí. Também pretendo arranjar um jeito de usar o esmalte dourado, que não seja passar nas minhas unhas.  😀

Continuo sendo alérgica, mas hoje em dia as marcas mais populares já fazem esmaltes hipoalergênicos, então não preciso mais gastar R$8~R$20 num único vidro. Ainda gosto de pintar as unhas, mas não faço mais nail art; prefiro a simplicidade de usar só uma cor por vez e não perder tanto tempo escolhendo combinações/fazendo as unhas.

Lá em 2013, quando entrei nessa onda do minimalismo, eu ficava pensando se um dia conseguiria usar apenas uma cor de esmalte, e decidi que se chegasse a esse ponto de simplicidade, eu escolheria ou preto, ou vermelho – ou ambos, sendo um pouquinho indulgente. Pois bem, esse dia chegou!

Compras (frustradas) para a pessoa que eu queria ser

Quem nunca comprou alguma coisa pensando não no valor que ela traria para a sua vida no momento da compra, mas no futuro, e acabou esquecendo essa compra em um armário qualquer? Eu sempre.

Um post no The Financial Diet sobre aspirational spending –  o hábito de comprar coisas que se adequam a uma versão idealizada de você mesma, e não à real  – me fez refletir sobre todas as compras que fiz (e ainda faço às vezes) que, em teoria, me transformariam em uma pessoa melhor. Mudar de estilo, ser mais saudável, adotar um novo hobby… Cada compra trazia a esperança de alcançar a pessoa que eu desejava ser mas, como previsto, nunca se concretizava:

  • Roupas/sapatos/acessórios que não tinham nada a ver comigo: hoje em dia não faço mais isso, mas antes de entender meu estilo e criar um guarda-roupa minimalista eu vivia comprando roupas que achava lindas mas não usava por um motivo ou por outro. Quando era adolescente também acontecia muito de comprar algo “mais feminino” só por pressão da minha mãe, como sapatos de salto alto. Tudo acabava encalhado no armário.
  • Planos de academia que não aproveitei como deveria: preciso fazer musculação. Odeio musculação. Não vou na academia. Jogo dinheiro fora.
  • Materiais para projetos que nunca foram executados: eu tenho muitas ideias para projetos de decoração, mas ás vezes eu me empolgo, compro os materiais e percebo que não vai ficar bom, ou acabo deixando para depois e nunca faço.
  • Cadernos maravilhosos que ficaram intactos na minha escrivaninha:Vou fazer um diário de viagens para registrar as lembranças dos lugares que eu visitar, vai ser ótimo”. Eu só não contei com a preguiça de escrever.
  • E-books que nunca foram lidos: quando comprei meu Kindle eu realmente pensei que ele iria facilitar a minha vida – e facilita, quando eu me digno a pegá-lo para ler alguma coisa, o que não tem acontecido com muita frequência.
  • Jogos que estão esperando no computador: chega a época de Steam Sales e eu compro pelo menos 4 jogos em promoção, me parabenizo por ter gastado menos que R$ 20, jogo um deles, esqueço os outros, e repito o processo no semestre seguinte.
  • Produtos de beleza que ficaram encalhados no banheiro: durante meu tratamento contra a acne, minha pele ficou muito seca então comprei um hidratante corporal. Minha pele continuou seca porque eu nunca lembro de passar o hidratante, e quando lembro fico com preguiça e acabo não usando.

Confesso que fazer essa lista me deixou um pouco revoltada, tanto com a minha ingenuidade de achar que adotaria certos hábitos quanto com o dinheiro desperdiçado nessas compras. Além disso, percebi que eu não estou organizando muito bem o meu tempo, porque eu gostaria de ler mais e de zerar meus jogos, mas nunca dá, já que eu estou sempre ocupada com outras coisas. Por fim, a lição que fica é que eu preciso refletir bastante antes de comprar coisas: elas precisam ser úteis para mim, não para a Bárbara que existe na minha cabeça – por melhor que ela seja.