Documentário: Minimalism

Na onda dos documentários, assisti há uns dias o “Minimalism: A Documentary About the Important Things”, que acompanha os criadores do site The Minimalists na turnê de lançamento do livro deles. Vários minimalistas famosos participam do filme, como o Leo Babauta do Zen Habits e a Courtney Carver, criadora do Projeto 333.

Apesar de ser um documentário interessante, duas coisas não me agradaram. A primeira é que quase todos os minimalistas que aparecem tem a mesma história de vida: possuíam  um ótimo emprego, salário de 6 dígitos, casa e carro próprios aos 20 e poucos anos mas eram infelizes, então resolveram largar tudo e partir em busca de uma vida mais simples, com mais significado. Ainda que essa seja uma narrativa válida, eu fico incomodada por ela ser a única mostrada no filme. Eu já disse que uma das coisas que não gosto no movimento minimalista é a falta de reflexão sobre privilégios de classe – é inegável que poder “largar tudo” é um privilégio para poucos, e o documentário pode passar a sensação de que minimalismo é apenas uma nova mania de gente rica (e pode ser mesmo).

Eu, por exemplo, não sou nada como as pessoas mostradas no filme: apesar de estar na classe média (e portanto, numa situação melhor que a de muita gente no país), nunca tive “tudo”. Na verdade, eu adotei o minimalismo justamente para não perseguir uma vida que nunca poderei ter, para não gastar loucamente e me endividar correndo atrás de um padrão visto como ideal pela sociedade, mas que é restrito a poucos. Sei que tem muita gente na mesma situação por causa dos blogs e sites que leio, então gostaria que o documentário tivesse mostrado essa realidade também!

A outra coisa que não gostei foi não terem dado nome aos bois na hora de apontar as causas do consumo desenfreado e da insatisfação que toma conta de cada vez mais pessoas. Um neurologista que foi entrevistado chega até a afirmar que faz parte do cérebro humano querer mais e mais, e é assim desde o início dos tempos, mas ninguém fala a palavrinha mágica: capitalismo. Não tem outra justificativa – a sociedade em que vivemos está estruturada em uma economia que visa crescimento e lucro eternos, é necessário consumirmos cada vez mais (e mais rápido) para manter a economia girando, e para consumirmos nesse volume e velocidade somos bombardeados diariamente com mensagens e anúncios dizendo que só seremos felizes e teremos a vida perfeita se comprarmos os produtos X, Y e Z. Isso é tão básico que achei estranho não abordarem. O The True Cost fala muito bem sobre isso, apesar de ser focado na indústria da moda.

Tirando esses pontos, é um bom documentário. Eu fico feliz em saber que o conceito de minimalismo está se espalhando e alcançando mais pessoas, e que muita gente está realmente repensando seu modo de vida e hábitos de consumo, e buscando o que é melhor para si. Minimalism tem bons exemplos de pessoas que adotaram a simplicidade, e eu recomendo a todos que quiserem uma inspiração para seguir por esse caminho. O filme está disponível na Netflix.


Já responderam à pesquisa de opinião sobre o blog? Quem não respondeu, pode vir aqui nesse link. A pesquisa vai ficar disponível até o fim do mês. Agradeço desde já!

Minimalismo: filosofia x estética

O post de ontem rendeu ótimos comentários, em especial este da Mary, do qual gostei tanto que pedi para publicar aqui como adendo ao que escrevi ontem. Segue o comentário dela:

Eu acho que o grande problema é que hoje as pessoas confundem filosofia minimalista com estética minimalista, e apesar te existir uma pequena relação aí, uma coisa não depende da outra. A estética minimalista de que você fala no post está mesmo em alta, e eu também tô meio enjoada de ver por aí. Mas uma pessoa ter uma casa toda preta, branca e cinza não quer dizer que você é minimalista, alias pode ser até o contrario, como você bem disse. A filosofia minimalista, por outro lado, é isso mesmo, uma forma de vida que, sem querer soar clichê, vem de dentro, tem a ver com organizar primeiro nossa mente, nossos valores, é só depois, por consequência, vem se refletir na nossa vida diária. É como eu escrevi uma vez num post que eu fiz, uma citação que li em algum lugar: minimalismo não é ter uma quantidade pequena de coisas, mas a quantidade perfeita delas. O que acontece hoje é a estética minimalista, que é outra coisa, sem banalizou por aí e as pessoas confundem as coisas. Mas pra mim, minimalismo como forma de vida não está sujeito à essa estética. E por causa dessa confusão, vemos conteúdos com conceitos trocados por aí, e fica difícil pra quem de fato quer estudar o tema encontrar material de qualidade. Em outras palavras, encerrando esse textão, uma pessoa minimalista pode viver numa casa toda colorida, enquanto alguém que vive numa casa toda nórdica e pálida pode não fazer ideia do que é minimalismo….

Obrigada pela reflexão , Mary!

O que eu não aprecio no minimalismo

Há anos me dedico a falar neste blog sobre como é bom adotar um estilo de vida minimalista, mas hoje resolvi ser hater e escrever sobre algumas tendências das quais não gosto nesse meio. Aqui vão elas:

Tudo preto, branco e cinza
Apesar de adorar essas cores (branco só para decoração, roupas jamais), existe uma falsa noção de que para se ter uma casa ou um estilo minimalista, você não pode sair desse espectro. É só procurar “minimalismo” no Pinterest para ser bombardeada por fotos de casas e roupas monocromáticas, e isso me cansa às vezes.

Destralhe, destralhe e mais destralhe
Entendo que é importante se livrar das coisas desnecessárias para ter uma casa mais organizada, e que isso é um processo contínuo, mas eu gostaria de ver mais conteúdo além disso nos blogs/sites e no Pinterest. A maioria esmagadora dos posts sobre minimalismo tem a ver com destralhe, e depois de ter adotado esse hábito, eu fico pensando “Ok, e agora? O que mais eu posso fazer?”, mas acho pouca coisa que me inspire.

Listas de itens essenciais para o guarda-roupa
Como disse nesse post, não gosto de listas de roupas essenciais porque elas são muito impessoais. Cada um tem seu estilo, e o que é essencial para mim pode não ser para outras pessoas.

Poucos móveis num espaço imenso
É verdade que o movimento minimalista se originou nas artes, no design e na arquitetura, sendo relacionado mais à estética que ao uso de espaço ou quantidade de objetos, mas eu não consigo deixar de achar estranho quando vejo fotos de casas gigantescas, porém com poucos móveis, sendo chamadas de minimalistas. Não seria melhor ocupar menos espaço?

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Começar a ser minimalista comprando “coisas minimalistas”
Às vezes eu leio relatos de pessoas dizendo que remodelaram todo o guarda-roupa ou a casa para se adequar ao modo de vida minimalista, e eu não consigo deixar de ver a ironia da situação: consumir mais, gastar dinheiro e gerar mais lixo não deveria ser considerado minimalista, por mais que sua casa e suas roupas agora sejam todas pretas, brancas e cinza! 😀

Falta de reflexão sobre privilégios
Pouco se fala sobre isso, mas a verdade é que poder adotar uma vida simples, reduzir posses e gastos supérfluos é um privilégio para pessoas de classe média/classe alta. Quantas pessoas no Brasil podem, como eu, separar um valor X por mês para gastar com não-essenciais? Às vezes as pessoas se perdem no discurso de “é possível ter uma vida minimalista, é só querer”, sendo que a maioria não vive com menos por opção, e sim por necessidade. Não quero me colocar como melhor que ninguém – até porque meu discurso nesse blog também é bastante classe média), só quero apontar que é necessário fazer essa reflexão de vez em quando.

E vocês, leitores, tem alguma coisa que não gostam no minimalismo? Me contem nos comentários!

Minimalismo: até onde cheguei e para onde vou?

Passaram-se quase quatro anos desde que descobri e adotei esse estilo de vida chamado minimalismo, até hoje. Durante todo esse tempo, sempre busquei simplificar a minha vida cada vez mais, li vários materiais sobre o assunto e procurei realizar todas as práticas “básicas” de minimalismo que podia. Acontece que ultimamente ando com a impressão de que estou encontrando muito “mais do mesmo” nas minhas leituras, já que implementei grande parte das dicas que dão em blogs/sites sobre minimalismo.

Não acho que já sei tudo e sou a minimalistona, pelo contrário! Acredito que ainda tenho um longo caminho a percorrer para conseguir uma vida mais simples, mas quero sair do básico, do destralhe, do Desafio das 100 Coisas, do “corte gastos com TV a cabo e academia”. Para isso, analisei a minha trajetória no minimalismo desde o início do blog e listei as principais mudanças que fiz na minha vida até então:

  • Mudei minha mentalidade e meus hábitos de consumo
  • Me desafiei a ficar 1 ano sem compras
  • Destralhei minha casa e meu armário
  • Criei um guarda roupa minimalista, que atende as minhas necessidades
  • Passei a controlar minhas finanças e reduzi/eliminei vários gastos
  • Adotei a regra do “um-entra-um-sai
  • Inventariei minhas roupas, sapatos e acessórios
  • Adotei o faça-você-mesmo
  • Passei a me preocupar mais com organização
  • Passei a economizar mais e guardar dinheiro antecipadamente para compras/viagens ao invés de me endividar

E agora, como ir além?

  • Reduzir minha produção de lixo: o movimento “lixo zero” é tendência no mundo minimalista. Vou começar aos poucos, prestando atenção na quantidade de lixo que produzo em casa e reciclando, coisa que não faço atualmente.
  • Fazer compras de forma mais inteligente, principalmente no supermercado: sei que posso economizar mais se adotar hábitos básicos, como comprar em verduras em sacolões ao invés do supermercado, que não faço hoje por pura preguiça. Hora de mudar isso!
  • Organizar melhor a minha casa: não basta meu apartamento ser organizado, eu quero que ele seja organizado de uma maneira bonita.  😉
  • Usar meu tempo de maneira mais eficiente: eu vivo deixando algumas tarefas de lado (inclusive meu próprio sono) por má-administração do meu tempo.
  • Passar 1 ano sem compras novamente: na primeira vez que fiz o desafio, ainda era muito “imatura” no minimalismo e acabei comprando várias coisas. Pretendo cumprir o desafio certinho da próxima!
  • Mudar minha relação com as redes sociais: eu reclamo da falta de tempo, largo o celular, desativo meus perfis no Facebook e Twitter e logo depois estou de volta… As redes sociais (outros conteúdos da internet também, mas elas principalmente) são o meu fraco, e quero muito reduzir o tempo que gasto com elas.

Não pretendo deixar de fazer o básico: ficar de olho no consumo, não ceder às compras por impulso, economizar e destralhar periodicamente são práticas que devo levar para a vida toda. Ainda assim, é bom abrir espaço para o novo.

“Peças que você precisa ter”. Precisa mesmo?

Outro dia estava checando as estatísticas do blog e vi que alguém chegou até aqui utilizando o termo de busca “peças minimalistas tem que ter”. Fiquei pensando nesse termo, “tem que ter”, tão repetido por aí. É difícil encontrar uma revista ou um site voltado para o público feminino que não contenha artigos com os títulos “X itens essenciais para esse verão” ou “Y coisas que toda mulher deve ter no guarda-roupa”. A imagem a seguir é um exemplo:

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“Essenciais” pra quem?

Reparem na quantidade: 50 itens! E esses são “só” os essenciais, hein? Sem contar as peças que estão na moda agora, como jeans flare, calça skinny colorida, colete de pelos… Você compra essa roupa “essencial” hoje, daqui a um ano ela está over e você fica com uma calça boca-de-sino encalhada em casa.

Eu realmente fico irritada com essas listas “tem que ter” porque, além de mudarem a cada estação e incentivarem o consumismo, elas nunca levam em conta nosso estilo de vida ou nossos gostos. Anos atrás eu comecei um estágio numa empresa onde minha chefe pediu que eu me vestisse um pouco “mais arrumada”. Sem ter ideia do que usar, segui uma dessas listas de essenciais e comprei, entre outras coisas, um exemplar da famigerada camisa branca “curinga”, que está presente em 9 de cada 10 listas de must-haves.

Com o tempo, eu fui ficando com ódio mortal da camisa. Ela sujava fácil, restringia meus movimentos, não combinava com as outras roupas que eu usava no dia-a-dia (só podia usar no trabalho)… Eu me sentia mal em usá-la e me livrei dela assim que pude. Se eu tivesse mais consciência na época, teria comprado roupas que, combinadas da maneira certa, serviriam tanto para o trabalho quanto para saídas casuais, como algumas blusas que tenho hoje!

No meio minimalista também existem essas listas de “essenciais”, vide o exemplo:

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A maioria dos itens é genérico (só a blusa cropped é peça “da moda”), mas não gosto da definição das quantidades. Eu realmente preciso de 3 blazers no meu armário? E dois vestidos de festa?

Minha intenção com esse post não é dizer todas as listas desse tipo são ruins, mas sim que devemos tomar cuidado com elas. Buscar inspiração é sempre válido e, para quem ainda está insegura sobre o próprio estilo, essas listas (principalmente as ilustradas) são um bom material de base. Mas o mais importante é consideras as suas necessidades e os seus gostos. Quem deve definir o que você “tem que ter” é você, apenas!

Links úteis para quem quer simplificar o armário:

  1. Podcast do blog Ana Go Slowly “Simplificar o Guarda Roupa
  2. Definindo meu estilo-assinatura, partes I, II e III
  3. Como planejar um armário minimalista

Desafio de alimentação do Zen Habits – Resultados

Mês passado eu escrevi um post sobre um desafio de alimentação saudável proposto pelo blog Zen Habits.  Para este desafio, eu deveria escolher quatro tarefas, realizar uma a cada semana, e progredir para a próxima apenas se tivesse sucesso (completado a tarefa por 5 dias ou mais) na anterior.

Findado o prazo de um mês, vamos ver como eu me saí.

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Minhas tarefas do desafio no Habitica

Semana 1 : Adicionar um vegetal ao almoço

Não sou muito de comer salada, mas tento adicionar pelo menos um tipo de verdura/legume nas minhas refeições. Sei que não é o ideal, mas estou caminhando a passos lentos nesse quesito (minhas saladas têm no máximo 1 verdura + 1 legume 😦 ), e comi vegetais durante toda a semana.

Semana 2 : Adicionar um vegetal ao jantar

Nem sempre eu janto (na maioria das vezes, por preguiça de cozinhar à noite), mas consegui realizar a tarefa durante os cinco dias exigidos. Durante a semana posso até jantar pão-de-queijo numa noite, mas no fim de semana eu sempre cozinho.

Semana 3 : Comer uma fruta de lanche

Falhei na primeira semana da tarefa, por pura bobagem. Eu já costumava levar uma fruta para comer de manhã no trabalho  (à tarde prefiro comer algo que me sustente mais, como bolos ou sanduíches), mas no fim-de-semana acabei não fazendo compras e fiquei sem frutas em casa. Acabei repetindo a tarefa na semana seguinte, e deu certo.

Semana 4 : Comer devagar e com consciência durante uma refeição por dia

Mais uma evidência de que as redes sociais sugam a minha vida: no dia-a-dia eu costumo tomar o café da manhã olhando o Facebook, almoçar enquanto vejo o Twitter e jantar assistindo alguma série. O jantar com as séries eu já sei que não vou largar tão cedo, mas cortei o celular na hora do almoço e estou tentando cortar na hora do café também.

Conclusão:

É verdade que eu trapaceei um pouquinho e escolhi apenas tarefas que já costumo realizar no dia-a-dia, mas não com tanta frequência quanto foi pedido no desafio. Ainda assim, percebi que o desafio me ajudou a consolidar esses hábitos, e eu gostei tanto que devo realizar uma segunda edição, com tarefas um pouco mais difíceis dessa vez.

As redes sociais estão sugando a minha vida?

Pergunta retórica. É óbvio que estão.

Ultimamente tenho sentido que estou sem tempo para nada. Chego em casa depois do trabalho, pisco, e já são 11 horas da noite. Exageros à parte, é claro que as últimas horas do dia e os fins-de-semana eu reservo para o descanso (tirando as horas do francês e da arrumação da casa…), mas notei que venho adiando até mesmo as “tarefas” que considero prazerosas – projetos de DIY, livros para ler, filmes para assistir – tudo está ficando para depois.

Nos últimos dias percebi que um dos maiores sugadores do meu tempo são as redes sociais. Exemplo: chego em casa cansada, resolvo “fazer uma horinha” antes de preparar o jantar, abro o Facebook… Passou uma hora. Faço a janta, vou ver uma série, termino e abro Twitter/Facebook/Tumblr/etc, mil scroll downs depois, já são 23:30 e tem louça na pia para lavar, marmita para fazer, banho para tomar… Vida que segue.

É claro que mexer em redes sociais não representa meu maior gasto de tempo – oito horas diárias de trabalho + academia + deslocamento + serviços domésticos consomem a maior parte do meu dia, e não tenho como fugir disso. E já que meu tempo livre é tão pouco eu prefiro gastá-lo com atividades que aprecio, e que não me deixarão com a sensação de “já é tão tarde e eu não fiz nada!”.

Não vou ser radical e excluir minhas redes sociais (até porque o Twitter mora no meu ❤ ), mas por uma semana vou diminuir drasticamente o meu acesso e trocar as infinitas mudanças de aba no Chrome por atividades que venho enrolando para fazer (de preferência, longe do notebook).

Começando imediatamente: já desativei os aplicativos do Facebook e do Twitter do meu celular. Só vou ligar o computador à noite quando tiver episódios novos das séries que eu assisto (nesse mês só duas estão ativas, vai ser fácil), ver um filme ou jogar. Na próxima semana escrevo um post contando como foi.

A vida que eu quero

Outro dia eu estava navegando pelo Tumblr e vi um post que me tocou bastante:

Tradução aproximada:

Conceito: eu termino a escola. O emprego que tenho não é meu trabalho dos sonhos mas eu gosto dele e trabalho bem ainda assim. Ele me paga o suficiente para cobrir todas as minhas necessidades. Minhas contas nunca estão atrasadas. Dinheiro não é uma preocupação. Eu tenho um lugar para morar. Meus cachorros também. Ele é bom e quente, eu tenho algumas plantas, minhas estantes estão cheias de livros, meus lençóis estão sempre limpos. Tenho tempo para ler no fim do dia. Eu leio bastante. Pensar é uma coisa boa. Eu me encontro regularmente com amigos, novos e velhos. Eles me amam. Nós criamos memórias. Eu não tenho nada do que me envergonhar. Eu viajo algumas vezes por ano, sempre para lugares diferentes. Os lugares que eu vejo me tiram o fôlego. As pessoas que eu encontro me ensinam sobre a vida. Elas são boas. Não existe guerra. O mar me chama e eu faço uma visita. Eu sou independente. Eu sou feliz.

Tirando alguns pequenos detalhes, como ter cachorros (preferiria um gato) ou ter vários livros (sou mais o kindle), eu mesma poderia ter escrito esse texto. É engraçado que sempre que penso em como seria a “vida perfeita” para mim, sempre me vêm duas imagens: a vida maravilhosa – ser rica, não precisar trabalhar, viver viajando – e a realista, que é basicamente a que foi descrita nesse post de Tumblr.

Ultimamente eu tenho pensado bastante nessa vida que eu quero ter. Não posso negar que já conquistei muito do que eu queria: eu moro sozinha, como sempre quis. Trabalho na minha área de formação, e apesar de não ser despreocupada com dinheiro, tenho o suficiente para me manter e guardar para o futuro – o que, infelizmente, não é realidade para grande parte das pessoas no Brasil. Encontro minhas amigas uma vez por mês, e apesar de achar pouco, sempre fico feliz em vê-las. Meus lençóis também estão sempre limpos, o que é ótimo!

Ainda assim, algumas coisas me faltam. Não estou muito feliz com o meu trabalho, e quase não sobra tempo para fazer as coisas que gosto. Acho exaustiva a jornada de trabalho de 40h semanais, mas por enquanto não tenho como fugir disso. Queria poder viajar mais e conhecer novos lugares, mas tenho medo de gastar com viagens um dinheiro que pode fazer falta no futuro. E nesse momento caótico da política nacional, tenho muito medo de a situação econômica piorar tanto que eu perca tudo o que conquistei até hoje (e nem falo só por mim, dessa vez).

Vejo muito por aí, principalmente nas redes sociais, pessoas reclamando de não saberem o que querem da vida aos 20 e tantos anos, de estarem “perdendo tempo” e de não serem bem-sucedidas. Eu mesma me sinto assim às vezes, e ler esse post me ajudou um pouco a enxergar que não é bem assim, que, devagarinho, eu estou conquistando a vida que eu quero. Eu sei que meus sonhos são realizáveis, e sei que vou alcançá-los, no que depender de mim.